Jorginho Mello, Governador de Santa Catarina
Eduardo Valente/GOVSC
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A sanção da lei que proíbe a adoção de cotas raciais em instituições de ensino superior de Santa Catarina provocou forte reação da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e do Ministério da Igualdade Racial, que classificaram a medida como um retrocesso social e jurídico.

As duas instituições se posicionaram publicamente contra a norma, alegando afronta à Constituição e às políticas de promoção da igualdade no país.

Jorginho Mello, Governados de Santa Catarina
Roberto Zacarias/Secom
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A legislação foi sancionada nesta quinta-feira (22) pelo governador Jorginho Mello e publicada no Diário Oficial do Estado. O texto veta a implementação de cotas raciais tanto em universidades públicas quanto em faculdades privadas que recebam recursos do governo estadual.

Entre as penalidades previstas, está a aplicação de multa de R$ 100 mil para cada edital que descumprir a proibição. Em caso de reincidência, a lei autoriza ainda o bloqueio de repasses de verbas estaduais às instituições consideradas infratoras.

Jorginho Mello, Governados de Santa Catarina
Roberto Zacarias/Secom
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A medida atinge diretamente a Udesc, as universidades vinculadas ao sistema Acafe e instituições privadas beneficiadas por programas como o Universidade Gratuita e o Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).

Em nota oficial, a Udesc afirmou que a nova lei compromete a autonomia universitária, princípio assegurado constitucionalmente, ao impor limites genéricos à definição de critérios acadêmicos e políticas institucionais. A universidade destacou que ações afirmativas são fundamentadas em evidências científicas e cumprem papel essencial na redução de desigualdades históricas.

Jorginho Mello, Governados de Santa Catarina
Eduardo Valente/SECOM
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A instituição também ressaltou que experiências consolidadas demonstram que a política de cotas amplia o acesso ao ensino superior sem prejuízo à qualidade acadêmica, além de fortalecer a diversidade e a produção do conhecimento. Segundo a Udesc, a decisão representa um retrocesso com impactos negativos para o desenvolvimento social, econômico e científico do estado.

O Ministério da Igualdade Racial também se manifestou de forma crítica. A pasta classificou a lei como inconstitucional e afirmou que a norma entra em conflito com diretrizes federais voltadas à promoção da igualdade racial. De acordo com o ministério, a ministra Anielle Franco irá acionar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para avaliar medidas jurídicas cabíveis.

Jorginho Mello, Governados de Santa Catarina
Eduardo Valente/SECOM
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Para o ministério, as ações afirmativas constituem uma das principais políticas reparatórias do país, com resultados comprovados por pesquisas científicas e impacto direto na vida de milhares de famílias. A pasta afirmou ainda que eventuais tentativas de enfraquecer direitos já consolidados serão contestadas.


O que prevê a lei

Apesar da proibição às cotas raciais, o texto sancionado mantém a possibilidade de reserva de vagas para pessoas com deficiência, estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas estaduais e candidatos selecionados com base exclusiva na renda.

Além das multas, a legislação estabelece a suspensão de repasses estaduais às instituições que insistirem em descumprir a norma.

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