
A chuva que caiu nas primeiras horas da manhã do domingo (4) não desanimou os foliões que ocuparam a Praça da Pira Olímpica, em frente ao CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), atrás da histórica Igreja da Candelária, no fim da Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio de Janeiro. Dali, diversos blocos partiram em direção à Praça Mauá, onde se juntaram a outros cortejos, dando início ao que os participantes chamam de Carnaval não oficial do Rio.
A iniciativa, puxada por foliões, músicos e ambulantes, marca o começo de uma folia livre, sem incentivo da Prefeitura ou do Governo do Estado, mas sustentada pela vontade coletiva de ocupar as ruas e celebrar o carnaval de forma espontânea. A alegria, a diversidade de fantasias e o espírito de colaboração deram o tom do dia.
Entre os personagens que chamaram atenção estava Ana Maria do Carnaval, que preferiu não revelar quem está por trás da fantasia, mas deixou claro o espírito da festa. Para ela, o segredo para aguentar a maratona da folia é simples, “Protetor solar, muita água, alegria e amor”.

Vindas de Bangu, as amigas Bárbara Costa, de 38 anos, e Camila Bento, de 36, reforçaram que o carnaval de rua é a cara do Rio de Janeiro. Fantasiada inspirada na música “Alô, Virgínia”, Camila destacou que criatividade e alegria não podem faltar. Bárbara foi direta sobre seus desejos para o dia, “Alegria, criatividade e beijo na boca”.

A organização dos blocos também reflete o espírito coletivo do carnaval não oficial. Magno Miller, um dos responsáveis pelo bloco Banheiro do Gugu, explicou que a proposta é circular pelas ruas, saindo da Pira Olímpica até a Praça Mauá, em uma rotatividade constante de músicos e blocos. Segundo ele, esse modelo fortalece não só a festa, mas também a economia informal. “É um carnaval feito por foliões, músicos e ambulantes. Sem essa tríade, ele não se sustenta”, afirmou.

As fantasias criativas também foram protagonistas. Gabriel Tavares, de 37 anos, surgiu vestido de “Gandalf, o cinzento, do Senhor dos Anéis”, curtindo o bloco Banheiro do Gugu. Para ele, o carnaval já começou oficialmente para quem está na rua, e deve seguir mesmo após o calendário tradicional.

Já Tom Oliveira, paulista que vive no Rio desde a infância, levou para a folia uma fantasia que brinca com a rivalidade entre Rio e São Paulo. Ao lado dele, Iarlei Prado, de Duque de Caxias, chamou atenção ao se fantasiar de ChatGPT, inspirado no que considera ser um dos temas mais em evidência atualmente. A Baixada Fluminense também marcou presença, mostrando que o carnaval de rua é plural e democrático.

Mesmo sem estrutura oficial, o Carnaval não oficial do Centro do Rio mostrou que a festa acontece pela força das pessoas que acreditam na ocupação consciente do espaço público, no respeito entre foliões e na celebração da cultura popular.