O elefante-marinho, depois de conduzido ao mar
Reprodução: Secretaria de Pesca de Maricá
O elefante-marinho, depois de conduzido ao mar


Um elefante-marinho mobilizou o município de Maricá,  localizado na baixada litorânea do Rio de Janeiro, depois de deixar o mar aberto e entrar no canal que desemboca na Lagoa de Guarapina.

Foi preciso uma operação de resgate, com várias embarcações e especialistas, para conduzí-lo com segurança de volta ao mar aberto. 

Confira o vídeo da ação:


O elefante-marinho foi localizado na região por pescadores e banhistas, há 3 dias, na praia de Jaconé, onde permaneceu, apenas sendo monitorado.

Até que, no final da tarde desta quinta-feira (24), ele entrou no canal que liga o mar com a Lagoa de Guarapina.

A partir daí, equipes da Secretaria de Pesca da Prefeitura de Maricá, em embarcações de pescadores, seguiram em busca do animal. Por volta das 20 horas, ele foi encontrado numa área de mangue.

Seguiu sendo monitorado e, na manhã desta sexta (25), segundo informado ao Portal iG pelo secretário de Pesca de Maricá, Alexandre Rodrigues de Oliveira, conhecido como Xandi de Bambuí, o animal foi localizado perto do Rio Doce.

"Ele já estava indo em sentido a outro canal. Nossa preocupação era com a segurança do elefante-marinho, que poderia morrer na lagoa. Por isso, organizamos uma operação e decidimos agir", disse o secretário de Pesca.

E as equipes agiram. Nesta tarde, sob os olhares de muitos curiosos e orientadas por biólogos e outros profissionais especializados, as equipes conseguiram conduzir o elefante-marinho de volta ao mar.

"Com várias embarcações e, sem tocá-lo, somente cercando, conseguimos conduzí-lo de volta ao mar aberto. Foi muito satisfatório ver o elefante-marinho seguindo para seu habitat natural, em segurança", concluiu Oliveira.

Também participaram da operação equipes da Secretaria de Segurança, Secretaria de Meio Ambiente, Guarda Ambiental e Defesa Civil.

Rota migratória

Em entrevista ao iG, Felipe Torres, médico veterinário especialista em animais marinhos, explicou que é comum surgimento de elefantes-marinhos no inverno, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, assim como lobos e leões- marinhos.

"Nesse momento, estão completando sua rota migratória; alguns saem em busca de alimentação. E a depender do mamífero, como as baleias, também usam nossas áreas nessa época do ano para reprodução", explica.

Segundo Torres, são animais selvagens, que não têm por hábito ter contato com seres humanos. Por isso, obviamente, caso se sintam ameaçados, eles vão fazer movimentos de defesa que podem ser encarados como um ataque.

"Além disso, esses animais são perigosos, porque possuem uma carga de micro-organismos que podem ser desconhecidas da nós, seres humanos. Então, o contato, não só pode trazer o risco de uma agressão, por uma mordida, mas também pode representar alguns perigos relacionados a doenças que nós não temos defesa", acrescentou.

Respeitar o descanso

Por isso, enfatiza o especialista, a recomendação é sempre manter distância, para que eles possam descansar.

"Na verdade, é isso o que muitas das vezes eles fazem nas nossas praias; descansam e depois seguem a sua rota migratória. A recomendação é não se aproximar e chamar os órgãos competentes para que tomem as medidas cabíveis. Aqui no Brasil, nós temos diferentes projetos, chamados de projetos de monitoramento de praia, a sigla é o PMP, e eles são os responsáveis por fazer todo o monitoramento, o cercado e, inclusive, a coleta de alguns materiais biológicos para se fazer o acompanhamento da saúde e da fisiologia desse animal", detalha.

Torres diz ainda que, na maioria das vezes, não é necessário realizar nenhum procedimento de reabilitação, somente monitoramento para evitar que haja contato de algum ser humano ou de algum animal doméstico.


Já nos casos em que o animal apresenta alguma debilidade, a equipe de monitoramento de praia vai realizar uma avaliação para executar as atividades necessárias, para que se entenda ainda um pouco mais sobre as causas de encalho.

Técnica de afugentamento

"Neste caso do elefante-marinho de Maricá, foi feita a técnica de afugentamento. Normalmente se faz essa técnica quando o animal encalha em uma praia muito povoada, com bastante movimentação de pessoas e de animais. Ao meu ver, foi tudo feito corretamente, sem problema nenhum. Os técnicos que trabalham nesses monitoramentos de praia têm um protocolo muito bem estabelecido para realizar ", conclui o especialista em animais marinhos.

Também na noite de quinta-feira, um pinguim foi resgatado pela Secretaria de Pesca, também na Lagoa de Guarapina, e foi encaminhado para os órgãos competentes.

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