O indigenista Bruno Araújo e o jornalista Dom Phillips
Reprodução - 06/06/2022
O indigenista Bruno Araújo e o jornalista Dom Phillips

Com discursos duros de membros da bancada esquerdista, o Parlamento europeu aprovou nesta semana, por 362 votos a favor, 16 contra e 200 abstenções, uma resolução que condena os assassinatos de Dom Philips e Bruno Pereira na região do Vale do Javari, na Amazônia .

O documento vai muito além da tragédia, que continua tendo enorme repercussão mundial, e exige que as autoridades brasileiras adotem medidas emergenciais para prevenir violações dos direitos humanos na região, proteger o meio ambiente e a vida de líderes indígenas.

Um dos principais defensores da iniciativa foi o eurodeputado Miguel Urban, líder do Anticapitalistas, que disse, em entrevista ao GLOBO, que "a política do governo Bolsonaro é nociva para os direitos humanos e está acabando com a Amazônia".

"É paradigmático que o Parlamento europeu tenha votado uma resolução sobre direitos humanos envolvendo o Brasil, motivado pela política genocida do presidente Bolsonaro contra comunidades indígenas brasileiras, especialmente pelos assassinatos de Dom Philips e Bruno Pereira, porque não são caso isolados", assegura Urban.

"Esta política é nociva para os direitos humanos e está acabando com um patrimônio brasileiro e da Humanidade, como é a Amazônia. Isso preocupa muito um sócio do Brasil, como é a União Europeia", acrescenta o eurodeputado.

Urban é um forte crítico do acordo negociado e fechado – embora ainda não assinado – entre a União Europeia e o Mercosul. Para o eurodeputado, é preciso aproveitar a campanha eleitoral brasileira para derrubar o entendimento.

"Com a campanha eleitoral brasileira, o acordo do Mercosul com a UE estará sobre a mesa e esse entendimento, negociado com o governo criminoso de Bolsonaro, é uma herança política que deve ser derrotada", frisa Urban.

A resolução aprovada pelo Parlamento europeu questiona o desmantelamento de agências governamentais brasileiras que atuam na proteção do meio ambiente; alerta sobre leis aprovadas recentemente pelo Congresso brasileiro que, segundo o Parlamento da UE, contribuem para a depredação do meio ambiente; exige o reconhecimento de terras indígenas e demanda que o Brasil cumpra com o que está estabelecido no Acordo de Paris, sobre combate ao aquecimento global, entre outras coisas.

Os 200 votos de abstenção foram, segundo Urban, de partidos da direita europeia, que "não podiam votar contra a urgência de defender os direitos humanos".

"A direita quis evitar uma resolução que desaprovasse de forma tão contundente a gestão de Bolsonaro. De fato, tentaram impor 11 emendas para que fossem retiradas as referências a Bolsonaro, mas não conseguiram", disse o eurodeputado, lembrando que apenas 16 eurodeputados de direita votaram contra a resolução.

"A extrema-direita europeia tem 110 deputados, mas muitos optaram pela abstenção", conclui Urban.

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