Projeto que homenageia Nise da Silveira pelo tratamento humanizado em psiquiatria foi aprovado pelo Congresso
Reprodução/Agência Senado
Projeto que homenageia Nise da Silveira pelo tratamento humanizado em psiquiatria foi aprovado pelo Congresso

O presidente Jair Bolsonaro vetou a inscrição da psiquiatra Nise Magalhães da Silveira no Livro dos Heróis e Heroína da Pátria. O veto foi publicado no Diário Oficial da União nesta quarta-feira. A médica foi conhecida por revolucionar o tratamento de transtornos mentais.

O Senado havia aprovado a inscrição da médica no Livro no dia 24 de abril e foi pedido pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Bolsonaro justificou o veto afirmando que "não é possível avaliar, nos moldes da referida lei, a envergadura dos feitos da médica Nise Magalhães da Silveira e o impacto destes no desenvolvimento da Nação, a despeito de sua contribuição para a área da terapia ocupacional".

O Livro dos Heróis e Heroína da Pátria registra o nome de brasileiros ou de grupos de brasileiros que tenham oferecido a vida à Pátria, para sua defesa e construção, com excepcional dedicação e heroísmo.

Deputados da base do governo Bolsonaro, entre eles Carla Zambelli, Major Fabiana, Carlos Jordy, Luiz Philippe de Orleans e Bragança e Daniel Silveira já enviaram projeto para a inclusão do ideólogo Olavo de Carvalho no livro.

Quem foi Nise da Silveira

Nascida em Maceió (AL), em 1905, Nise da Silveira começou a atuar na década de 1940. Na época, ela rebelou-se contra os métodos manicomiais então aplicados a pacientes com transtornos mentais, como o eletrochoque, a lobotomia e o confinamento, entre outros.

Uma das terapias desenvolvidas por Nise foi a expressão dos sentimentos pelas artes, especialmente a pintura. A produção artística de alguns pacientes ganhou reconhecimento pela qualidade estética, além de ter demonstrado resultados positivos na recuperação. Muitas dessas obras estão hoje expostas no Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro.

Esses trabalhos também já foram expostos no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

A Casa das Palmeiras, aberta por Nise em 1956 com foco em reabilitar sem internação, também investiu no processo criativo e afetivo dos pacientes.

Além da arte, o contato com gatos e cães foi outro tratamento introduzido por ela no Brasil. Os pacientes podiam cuidar de animais nos espaços abertos do centro, estabelecendo vínculos afetivos. A médica morreu em 1999.

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