Rogério Andrade expandiu jogos de azar para áreas do tráfico e milícia
Divulgação - MPRJ - 10/05/2022
Rogério Andrade expandiu jogos de azar para áreas do tráfico e milícia

A denúncia da Operação Calígula, ocorrida na terça-feira, que descortinou a ligação da quadrilha que seria comandada por  Rogério Andrade com o poder público aponta que o bicheiro expandiu os jogos de azar em áreas do tráfico e de milícias para aumentar seus lucros. Ainda de acordo com o Ministério Público, Andrade apenas alcança seus expressivos resultados financeiros em razão da corrupção de policiais, do poderio bélico e "também pela conexão com outras organizações criminosas independentes", diz trecho do documento.
O acordo seria de cooperação: Andrade cede o aparato para o Jogo do Bicho e o tráfico ou a milícia fica com parte do dinheiro obtido com a instalação de máquinas caça-níqueis e de apostas.

Em janeiro, a reportagem divulgou que uma das linhas de investigação para um triplo assassinato ocorrido na frente de uma boate no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, seria a de vingança de bicheiros. Na ocasião, homens armados, de dentro de um carro, fizeram disparos contra o empresário Gabriel Afonso, 35 anos, por volta das 4 horas da manhã. Ele morreu no local.

A mulher de Gabriel, Natasha Nunes Fernandes, e o policial militar Fábio Jansen dos Santos, que o acompanhavam, foram baleados e socorridos ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas não resistiram. O policial militar era lotado no 9ºBPM (Rocha Miranda) atuaria como segurança do empresário, em sua folga.

Afonso atuaria como um dos elos entre bicheiros e traficantes. Ele seria responsável pela instalação de máquinas caça-níqueis em comunidades do Comando Vermelho. As máquinas seriam instaladas mediante autorização dos criminosos locais, com pagamento de taxas semanais. No entanto, bicheiros teriam descoberto um desvio no dinheiro por parte do empresário e o sentenciado à morte.

A informação de instalação de máquinas em cooperação com outros criminosos ficou evidenciada na denúncia, que reproduziu diálogos entre comparsas da quadrilha. Em uma dessas conversas, por aplicativo, um dos criminosos, de nome Marcelo, pergunta a outro: "Mug, me responde aí... Comunidade Santa Maria, lá no “Pau da Fome”, é depois de onde era a Gama Filho, é nosso? Como é que é a situação lá? Comunidade lá cara...Uma milícia... Lá eu tenho um esquema bom... Dá pra botar um monte lá... Fala comigo aí!”.
O outro, responde: “Parceiro, não é nosso não. Pau da Fome é Cascadura alí né? Tem que ver o bairro. Vê o bairro direitinho e vê se tem alguma coisa. Se não tiver e o cara da milícia quiser, a gente põe”. A conversa ocorreu em setembro de 2017.

Ao entender que a área ficava em Jacarepaguá, Mug responde que poderia ser explorado. De acordo com os promotores, o contexto da conversa diz que os jogos de azar poderiam ser instalados "notadamente por se tratar de território dominado pela horda liderada por ROGÉRIO DE ANDRADE. Por fim, MARCELO questiona se, por se tratar de área dominada por milícia, teria a ORCRIM [Organização Criminosa] que pagar algo, sendo tal questão rechaçada por MUG, notadamente porque, segundo dito, Jacarepaguá seria área de domínio do clã. MUG ainda orienta expressamente que, em caso de qualquer problema, deveria o assecla falar o nome de ROGÉRIO DE ANDRADE, vulgo R", diz trecho do documento.

Até o momento, 14 pessoas foram presas na operação. Andrade continua foragido.

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