Assessores de Gabriel Monteiro analisavam rivais para produzir vídeos

Ex-funcionário do vereador afirma que participou de grupo que tinha como objetivo investigar opositores para criação de conteúdos que monetizassem o seu canal

Funcionários do vereador participavam de grupo para investigar opositores e produzir conteúdos que garantissem monetização para Gabriel
Foto: Roberto Moreyra/O Globo - 29.03.22
Funcionários do vereador participavam de grupo para investigar opositores e produzir conteúdos que garantissem monetização para Gabriel

Um dos sete alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Civil, o ex-assessor parlamentar de Gabriel Monteiro  (PL) Vinícius Hayden Witeze contou, em depoimento, que integrava um setor de funcionários do vereador criado para investigar pessoas apontadas por ele, com o intuito de produzir vídeos que agradassem seu público e lhes garantisse uma boa monetização.

Na 42a DP (Recreio dos Bandeirantes), o rapaz revelou que seu ex-chefe já lhe pedira para investigar nomes da política, como secretários municipais e estaduais e até deputados estaduais.

De acordo com Vinícius, os vídeos em que Gabriel Monteiro abordava o coronel Íbis Souza Pereira e insinuava que o oficial mantinha relações com traficantes de drogas por ter participado de um evento dentro do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, garantiu ao vereador uma exposição na imprensa por dias seguidos, em março de 2020.

Isso teria feito aumentar o número de seguidores nas redes sociais do parlamentar e também a visualização de seus vídeos, lhe garantindo altíssimo retorno financeiro com a monetização.

Desta maneira, segundo Vinícius, Gabriel Monteiro passou a procurar sempre por um “novo coronel Íbis” e determinou que o ex-assessor passasse a investigar a secretária municipal de Assistência Social do Rio Laura Carneiro, o ex-secretário estadual de saúde Edmar Santos e o deputado estadual Gustavo Schimidt, a fim de encontrar algo que pudesse ser usado contra eles. Sobre o último político, o ex-funcionário disse que recebeu tal ordem do vereador por meio de mensagens de WhatsApp.


Na delegacia, Vinícius narrou que Gabriel Monteiro raramente utilizava seu gabinete na Câmara e que seus funcionários trabalham de maneira exaustiva, não tendo respeito a horários tampouco pausa para descanso ou alimentação.

Ele relatou que eles não tinham sequer autorização para almoçar e que o vereador cobra a produção e publicação diária de vídeos, em razão da monetização de aproximadamente R$ 300 mil que recebe mensalmente do Youtube.

Em relação as relações sexuais mantidas entre o vereador e meninas menores de idade, Vinícius afirmou que Gabriel chegava a fazer brincadeiras, dizendo a ele que abriria uma creche. Ele também afirmou ser comum as festas com orgias promovidas pelo vereador na residência, sendo a maioria das convidadas com menos de 18 anos, com quem ele praticava sexo. O ex-assessor disse que, em uma dessas festas, encontrou meninas saindo de lá chorando e aparentando terem sido estupradas.

Vinícius disse ainda que recebeu de Gabriel, por WhatsApp, dois vídeos pornográficos de duas meninas mantendo relações sexuais e que o vereador tinha por hábito exibir esse tipo de imagens íntimas para funcionários e seguranças a afim de se vangloriar.

Na manhã desta quinta-feira, dia 7, a casa e o gabinete de Gabriel Monteiro, além de assessores, ex-assessores, incluindo Vinícius, e até empresários ligados a ele foram alvos de uma operação da Polícia Civil do Rio para cumprir mandados de busca e apreensão. O vereador é investigado pelo crime de disponibilizar registros que contenham cenas de sexo explícito ou pornografia envolvendo criança ou adolescente.

Na decisão do juiz Guilherme Grandmasson Ferreira Chaves, do plantão judicial, autorizou, a pedido do delegado Luís Armond, titular da 42a DP, a apreensão de material e outros objetos que possa conter relação com a prática desse tipo de crime, como laptops, computadores, tablets, celulares, kindles, smartphones, mídias externas e portáteis, como HDs, pendrives, CDs e DVDs.

Entre os endereços para cumprimento dos mandados, estavam também as residências de Heitor Monteiro de Nazaré Neto, Matheus Souza de Oliveira, Fábio Neder Fernandes Di Leta, Rick Mamede Dantas e Rafael Sorrilha.

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