Morro da Oficina, em Petrópolis local mais atingido pela enchente há um mês
Tomaz Silva/Agência Brasil - 14.03.2022
Morro da Oficina, em Petrópolis local mais atingido pela enchente há um mês

Moradores do Morro da Oficina, no Alto da Serra, em Petrópolis, o casal Jussara e Carmelo optou por tirar os netos de casa após a chuva que provocou a morte de muitos vizinhos na comunidade há um mês. No entanto, ambos permaneceram na residência, que veio abaixo em um novo deslizamento decorrente da chuva do último domingo.

A enxurrada de água e lama arrastou os corpos das vítimas por cerca de 50 metros, antes de serem recolhidos por vizinhos até a chegada dos Bombeiros. Segundo os vizinhos, eles foram avisados pelo Corpo de Bombeiros que deveriam deixar a casa.

O Morro da Oficina foi o ponto onde houve o pior deslizamento do temporal de fevereiro. Das 233 vítimas fatais da tragédia, 93 foram na comunidade. Ali, também foram registrados os maiores números de desabrigados que tiveram as casas destruídas ou comprometidas, assim como aqueles que foram aconselhados a sair de suas casas, devido ao risco de novos deslizamentos.

Vizinhos descreveram o casal como calmo e de boa relação com os demais moradores da região. A casa das vítimas, na Rua Osvero Vilaça, assim como outras da região, foram declaradas como área de risco pelos Bombeiros durante os trabalhos de busca após o temporal de fevereiro. No entanto, desde então, técnicos da Defesa Civil Municipal não estiveram no local para realizar a vistoria que poderia ou não determinar a interdição da mesma.

Morador do Morro da Oficina há 55 anos, o caseiro Ronaldo Alexandre de Morais, de 67 anos, participou do resgate dos corpos dos vizinhos. De acordo com ele, o casal chegou em casa à noite, e pouco tempo depois a casa desabou.

— Eu os vi chegando. Ele (Carmelo) encostou o carro e veio para casa, quando deu mais ou menos 21h aconteceu. Eram pessoas boas, de caráter bom. Não escutei o barulho, meu irmão me mandou uma mensagem informando que a casa havia caído — disse o morador.

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Ronaldo confirmou que os diagnósticos condenando a região vem desde a década de 1980.

— Na chuva de 1988, os geógrafos disseram que isso estava tudo condenado, que o morro é todo condenado, que nós estamos sob uma laje de pedra. Graças a Deus onde eu moro nunca teve problema, mas a gente tem medo (de morar aqui). Sempre tem — completou.

Morador antigo da rua onde houve as mortes, o representante de vendas Marcelo Luis Borges Junior vive na Oficina desde que nasceu e conhecia toda a família das vítimas. Após o temporal de fevereiro, ele recebeu o mesmo aviso que o casal, obedeceu e se mudou para a casa da sogra.

— Desde o ocorrido em fevereiro, eu fui para a casa da minha sogra e desde então a gente está nesse vai e volta, tentando conseguir o aluguel social, só que até agora não saiu nada. A gente está de pés e mãos atados. Eu conhecia a Jussara, fui nascido e criado com as filhas dela, não tinha do que reclamar, era uma boa pessoa — afirmou.

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