Deputada estadual Isa Penna (PSOL)
José Antonio Teixeira/Alesp
Deputada estadual Isa Penna (PSOL)

E-mails enviados à deputada estadual Isa Penna (PSOL-SP), ameaçada de estupro e de morte, apresentam uma série de comentários racistas e homofóbicos, além de descreverem que ela seria golpeada no crânio com um "martelo ordinário" e teria a cabeça cortada. Nas mensagens, às quais o GLOBO teve acesso, o agressor atemoriza a parlamentar caso "continue fazendo críticas ao governo Bolsonaro" e exibe o endereço de seus pais como forma de intimidá-la. E ainda há menções a expressões usadas por grupos neonazistas e em fóruns da deep web - conjunto de redes oculto ao grande público.

Penna expôs nesta sexta-feira que foi vítima novamente de ameaças que atingiam também seus familiares, cujos endereços foram divulgados. A deputada, que registrou uma queixa-crime no último dia 27 após receber um e-mail em que era ameaçada de estupro e morte, atualizou a ocorrência esta semana. A parlamentar ainda tomou medidas para reforçar sua segurança, incluindo um pedido de escolta e suspensão de agendas públicas por ora.

No primeiro e-mail, encaminhado à deputada em 27 de janeiro, o autor relata uma possível cena em que abusaria sexualmente da parlamentar e a mataria na sequência. Com palavras de baixo calão, ele diz ainda que vai "cortar sua cabeça fora". A descrição foi publicada também em um "Blog da Reich", termo usado pela Alemanha nazista, com o título "Isa Penna é uma vagabunda".

"Supondo que eu a encontrasse caminhando na rua à noite, GOLPEARIA seu crânio com um martelo ordinário. Ela teria uma convulsão no mesmo momento, seu corpo não aguentaria a pressão e desabaria", diz a mensagem.

Em outro e-mail, datado de 31 de janeiro, o agressor afirma que a deputada "vai pagar por tudo o que tem feito" e alerta para que ela "prepare-se para o pior". O texto ataca a parlamentar com frases racistas e homofóbicas, referindo-se a ela como negra e LGBT e "por isso será sempre alvo de nosso ódio".

"Caso você continue fazendo críticas ao governo Bolsonaro, iremos te ameaçar. Você é negra e isso é motivo de vergonha para todos nós. Seu povo é incapaz de fazer qualquer coisa certa, então deveria se calar e deixar os brancos governarem o Brasil. Nós, brancos, não toleramos que negros tentem se dar bem na vida e vamos fazer de tudo para prejudicar você e seus projetos", afirma a mensagem.

O agressor sugere também que "eleitores brasileiros não toleram esse tipo de atitude de representante que se acha melhor que os outros porque é minoria". Afirma que Penna deveria ser punida e "deveria estar morta". E, por fim, cita que tem o histórico de seus endereços, incluindo de familiares.

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"Tu és negra e LGBT, e por isso será sempre alvo de nosso ódio. Você pode ter conseguido se eleger, mas nunca escapará do nosso controle. Prepare-se para sofrer ataques racistas e homofóbicos sempre que aparecer na mídia ou defender causas que nos incomodam. Nós nunca esqueceremos que você é uma aberração e merece ser punida. Você deveria estar morta, ou melhor, nunca ter nascido; é o exemplo de tudo o que é errado na sociedade atual. Começaremos a onda de assassinatos por você", diz o e-mail.

"O segundo (e-mail) veio com o endereço para provar como é fácil me atingir e com essas ameaças. Me coloca num bojo de comunidade negra e LGBT, que ele fala que são as piores pessoas do mundo e que vão ser a primeira de uma onda de morte que vão começar. Me chamam de negra porque tudo que é ruim, de esquerda, é negro para eles, disse Penna ao GLOBO.

O gabinete de Penna ingressou com um pedido de proteção parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e vem adotando medidas de segurança preconizadas pela ONG Terra de Direitos, especializada em assistência em questões ligadas a direitos humanos. Entre as orientações, foi encaminhada uma denúncia para o Conselho Nacional de Direitos Humanos.

E-mails com o mesmo padrão de ameaças foram também enviados ao ator Douglas Silva, atual participante do BBB 22. As defesas da deputada e do artista mantêm diálogo e analisam se existem mais evidências em comum.

Após a divulgação do ocorrido, políticos e personalidades se solidarizaram com a parlamentar. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alesp, deputado Emídio de Souza, informou na ocasião que solicitaria que as forças de segurança tomassem medidas de proteção à integridade da colega.

"Esse caso demonstra que tem gente querendo colocar medo na gente. E não é coincidência que é em um ano eleitoral, numa das eleições mais importantes da história do Brasil. A gente precisa ver que tudo o que conquistou até hoje foi na base de enfrentar o medo. Não vai haver nenhum recuo, afirmou Penna.

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