João Paulo Bortolozo afirma que convulsionou e desmaiou após maus-tratos em treinamento da PM do Acre
O Globo/Reprodução
João Paulo Bortolozo afirma que convulsionou e desmaiou após maus-tratos em treinamento da PM do Acre

A Polícia Civil do Acre abriu um inquérito para investigar denúncias de maus-tratos no curso de formação de soldados da Polícia Militar do estado. O procedimento vai apurar os relatos feitos pelo aluno João Paulo Bortolozo, de 30 anos.

Em 15 de setembro, o GLOBO mostrou que outros alunos do mesmo curso de formação tinham delatado situações semelhantes de agressões durante as aulas. Bortolozo afirma ter sido vítima de uma série de atos violentos durante os treinamentos, em especial no ocorrido em 18 de setembro. Nesta data, ele participou de uma marcha de 10 quilômetros, finalizada em uma área do Bope.

"A corrida terminou lá no Bope, lá atrás, no centro de treinamento, dentro da mata. Aí me colocaram para fazer mais exercícios e eu nada de desistir. E eles: espera aí que eu vou fazer ele desistir. Aí três caras e uma mulher me pegaram e me levaram para dentro do mato, pedindo para eu assinar a folha de desistir, e eu falava que não", disse.

Bortolozo afirma que, em seguida, um instrutor veio por trás, deu-lhe uma gravata pelo pescoço, e o pulou com o aluno para dentro da água.

"Ele já pulou comigo dentro de um igarapé, dando caldo, me afogando. Quando eu estava para morrer eu gritei: vou assinar, vou assinar, pelo amor de Deus, eu assino. Quando me tiraram de dentro d'água eu falei que não iria assinar mais de jeito nenhum, aí o cara me deu um soco no meio do peito, outro nas costas, e uma mãozada no meio da minha cara. Aí eu já arriei no chão", denuncia.

Apesar das agressões, Bortolozo conta que mais uma vez resistiu a desistir do curso de formação. Ele sustenta que os instrutores tentaram levá-lo novamente para a água e ele se segurou enquanto pôde em pedaços de pau.

"Quando eu vi que iria para água de novo, resolvi assinar. Aí depois eu só me lembro que eu comecei a convulsionar, fiquei todo torto, tipo epilepsia, e desmaiei. Só lembro que acordei dentro de uma ambulância. Nem médico tinha, só dois policiais enfermeiros", afirmou o aluno.

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