Marielle Franco e seu motorista, Anderson, foram assassinados em 2018
Agência Brasil
Marielle Franco e seu motorista, Anderson, foram assassinados em 2018

O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), disse, nesta terça-feira (13), que não pode dizer se o caso das mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes será solucionado . A declaração aconteceu durante uma coletiva sobre a antecipação da segunda dose da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca, no Palácia Guanabara.

De acordo com Castro, ele não tem acesso ao processo relativo às mortes de Marielle e Anderson e, apesar de cobrar a resolução, não pode afirmar que haverá respostas. As investigações buscam responder quem planejou a morte da vereadora e por qual motivação. Mais de três anos após o crime, apenas duas pessoas envolvidas foram presas, sendo elas o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz. A arma e o carro utilizados no crime não foram encontrados. Eles respondem por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, emboscada e sem dar chance de defesa às vítimas.

"Como qualquer outro cidadão, eu não tenho como dizer se vai ser respondido, pelo simples fato de que eu não faço parte do processo. Esse processo está em segredo de Justiça , seria um crime se eu falasse isso, ou eu estaria enganando, estaria fazendo bravata. O que eu cobro é que tenha solução, é minha cobrança institucional, como eu cobro todos os casos. Por óbvio, esse é um caso sensível, mas não tenho como dizer se vai ser ou não vai ser (solucionado)”, declarou o governador.

Ainda segundo o governador, nesta semana será agendado um encontro com a Anistia Internacional, que após a saída das promotoras Simone Sibílio e Letícia Emile do caso Marielle , divulgou uma nota informando estar acompanhando com preocupação o afastamento.

"Três anos sem respostas sobre quem mandou matar Marielle e por quê, é tempo demais. Neste período quatro delegados diferentes assumiram a condução das investigações. Toda e qualquer suspeita de que a investigação possa sofrer interferências indevidas deve ser investigada. Exigimos das autoridades responsáveis transparência e respostas sobre a lisura na condução desse processo”, declarou a Anistia.

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No último dia 10, as promotoras deixaram a força-tarefa que investiga as mortes de Marielle e Anderson. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) afirmou que as duas decidiram voluntariamente deixar o caso. Antes de deixarem as investigações, elas denunciaram o delegado da Polícia Civil, Maurício Demétrio, depois que descobriram que ele recebeu informações sigilosas do caso.

O RJ2 da TV Globo mostrou que informações secretas do caso acabaram expostas sem autorização judicial e Maurício Demétrio denunciado por crime de violação de sigilo. Demétrio chegou a procurar a Delegacia de Homicídios da Capital, onde o caso Marielle é investigado, para formalizar o acesso aos dados sigilosos. De acordo com a denúncia, o então responsável pela especializada, delegado Moysés Santana, disse em depoimento ter recebido Demétrio a pedido do secretário de Polícia Civil, Alan Turnowsky, para que o ajudasse no que fosse possível, mas que, em nenhum momento, forneceu qualquer documento de conteúdo sigiloso.

"Eu não me meto em investigação nenhuma. Eu cobro só que elas sejam solucionadas. Se as promotoras tinham alguma coisa do Dr. Alan, tem a corregedoria da Polícia Civil e o PGJ (Procurador-Geral de Justiça) Dr. Luciano Mattos, que poderia vir conversar comigo. Eu acho que elas deveriam ter usado as instâncias, irem formalmente fazer essa denúncia, se não fizeram, não me cabe comentar. Isso para mim vira ilação e eu não comento ilação", completou Castro.


A insatisfação de Simone e Letícia seria antiga e elas teriam deixado o caso porque discordaram da forma como estavam sendo conduzidas as negociações para a delação da viúva do ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Adriano da Nóbrega , Julia Lotufo.

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