Jair e Flávio Bolsonaro, seu filho mais velho, investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro
Carolina Antunes/PR
Jair e Flávio Bolsonaro, seu filho mais velho, investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro

O presidente Jair Bolsonaro fez transações semelhantes às que levantaram suspeitas contra o seu filho, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), na investigação do caso das " rachadinhas ". Parte dessas movimentações foram identificadas na quebra dos sigilos bancário e fiscal anulada pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo os dados, Jair Bolsonaro fez uso de dinheiro vivo para ajudar o filho Flávio a adquirir imóveis, e uma funcionária de seu antigo gabinete na Câmara dos Deputados abastecia as contas de Fabrício Queiroz , suposto operador financeiro do esquema das "rachadinhas".

Os repasses identificados da família Queiroz para a conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro , que chamaram a atenção pelo alto valor , são maiores do que os comprovados para Fernanda Bolsonaro, dentista e mulher de Flávio.

A compra da casa da Barra da Tijuca do presidente também tem movimentações que indicam semelhanças com as transações que aprofundaram as investigações contra seu filho mais velho.

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Mencionado no material recolhido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro , Jair Bolsonaro não foi alvo das apurações, já que, em razão do cargo, só pode ser investigado por atos cometidos durante o mandato.

Flávio Bolsonaro é acusado pelo MP-RJ de liderar um esquema para ficar com parte do salário de 12 funcionários fantasmas em seu gabinete na Alerj entre 2007 e 2018, período em que Queiroz esteve subordinado ao senador como assessor.

Segundo o MP-RJ, foram desviados ao todo R$ 6,1 milhões dos cofres públicos, e R$ 2,08 milhões comprovadamente foram repassados para Queiroz. Investigadores dizem ainda que outros R$ 2,15 milhões sacados das contas dos supostos funcionários fantasmas podem ter sido disponibilizados para a organização criminosa.

A denúncia diz que os recursos da "rachadinha" no gabinete de Flávio circularam prioritariamente por meio de dinheiro vivo, e um dos meios de lavagem de dinheiro foi a aquisição de imóveis. Em janeiro deste ano, o filho mais velho do presidente fez sua 20ª transação imobiliária, adquirindo uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília , mesmo sem ter renda para financiá-la de acordo com as regras do próprio banco usado , o Banco de Brasília (BRB).

A defesa de Flávio Bolsonaro nega as acusações e diz que a denúncia do MP-RJ tem "erros bizarros", e o Planalto não respondeu até a publicação da reportagem.

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