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Rafael Nascimento de Souza / Agência O Globo
Policiais civis foram até o condomínio na Praça Seca, Zona Oeste do Rio


Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) constaram que houve arrombamento recente , feito por milicianos , em pelo menos três dos apartamentos de um condomínio residencial na Praça Seca, na Zona Oeste do Rio. Nesta terça-feira (20), pelo segundo dia consecutivo, equipes da 28ª DP (Campinho) estiveram no conjunto habitacional.


De acordo com as investigações, os imóveis são invadidos e posteriormente são revendidos em um site de compras da internet. Segundo apurou a polícia, um dos apartamentos foi vendido por R$ 18 mil. A pessoa que comprou deu uma entrada de R$ 8 mil e parcelou o restante em dez vezes.

Ontem, na associação de moradores do bairro, os investigadores encontraram documentos de compra e venda de três apartamentos invadidos com a identificação da associação de moradores da comunidade Nova Barão. O presidente do órgão foi ouvido e negou participação do esquema .

Troca de fechaduras

A 28ª DP apura a participação de um chaveiro no esquema criminoso. Ele seria o responsável por trocar as fechaduras das portas após os imóveis serem invadidos. A ousadia dos milicianos é tanta que, após a saída da polícia do local na tarde de ontem, eles trocaram novamente a fechadura dos apartamentos e para confundir os policiais, modificaram os números e letras dos blocos.

"A audácia deles é tanta que ontem estivemos aqui e constatamos os sinais de arrombamento e hoje na realização da perícia observamos que eles tentaram simular que não houve tentativa de invasão tentando instalar novamente as fechaduras antigas. Além disso, eles mudaram os números dos blocos para confundir os investigadores na localização dos apartamentos invadidos", disse o delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, titular da 28ª DP.

Nos próximos dias a polícia vai intimar todos os inquilinos que alugaram os apartamentos que supostamente foram invadidos pelo grupo paramilitar que atua na Praça Seca. Os investigadores querem saber quem são os proprietários e se existem documentos legais dessas residências.

Outra frente de investigação vai buscar junto ao cartório que registrou os documentos mais informações sobre os imóveis e as negociações. A polícia também pretende ouvir os proprietários que foram expulsos pela milícia .

O delegado Antonio Ricardo pediu que a população envie denúncias para a delegacia sobre a atuação do grupo criminoso que atua na região. A 28ª DP criou um número para receber denúncias pelo Whatsapp. O telefone é o (21) 98596-7427. "É importante que a população acredite e faça denuncias", completou.

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