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Divulgação
Leônidas foi alvejado na cabeça durante troca de tiros entre policiais e bandidos


Cerca de 20 pessoas compareceram, na tarde deste domingo (11), no cemitério de Inhaúma, para o enterro do menino Leônidas Augusto da Silva de Oliveira, de 12 anos,  morto por uma bala perdida na tarde de sexta-feira na Avenida Brasil, na altura da favela da Nova Holanda, em Bonsucesso.


Em clima de consternação, o velório do Léo, como era conhecido o menino que participava das atividades educativas do Centro de Estudos e Ações Sociais da Maré (Ceasm) começou ao meio-dia e. Por volta das 14 horas, o corpo foi levado sob muito choro e lamentação dos parentes do jovem que sonhava ser advogado.

O estudante morreu após ser atingido na cabeça durante um tiroteio entre dois carros na Avenida Brasil, sentido Zona Oeste, enquanto estava com a sua avó, que não foi alvejada, em frente a uma lanchonete situada na via expressa. Uma mulher que transitava no local também foi atingida.

Ambos foram levados com vida ao Hospital Geral de Bonsucesso: Leônidas chegou à unidade falando, realizou uma cirurgia, mas não resistiu . A mulher, ainda não identificada, segue internada.

Após o enterro, o primo de Leônidas, Guilherme Lopes afirmou que a família está sendo bem apoiada por ongs e coletivos, mas que ainda não teve resposta da polícia sobre o ocorrido.

"O pessoal do Museu da Maré e do Maré Vive estão dando suporte fora do comum para a família neste momento, mas a polícia não deu nenhum posicionamento a respeito disso. A gente não está buscando um culpado, mas o mais revoltante é a questão de o Leo não ter esse direito de ir e vir, foi interrompido o futuro de um menino de 12 anos. Foi lamentável e nos deixa sem saber o que fazer neste momento. Quantas crianças mais a gente vai perder para a violência por omissão do Estado?", disse Guilherme.

Na manhã de sábado, no IML, a tia de Leônidas, Leonice Silva de Oliveira, chegou a contar que policiais militares estavam próximos ao local do crime, mas que não quiseram socorrer a criança de imediato. A avó do jovem, Alice Silva, confirma a abstenção da polícia no momento.

"Eu só falei "vamos correr, Leo" e, quando olhei para o lado, ele já estava caído com a bala na cabeça . Comecei a pedir, pelo amor de Deus, para o policial me ajudar. Eu só implorava "é o meu neto! É um menino de 12 anos. Ele só brinca de carrinho, você vai ter coragem ver ele caído no chão, sem fazer nada por ele?". Aí o motorista falou que ia levar o garoto mas um outro grandão não gostou. Não queria que levasse o garoto e ele já com a boca cheia de sangue. Todo mundo começou a gritar "Leva, leva, leva!" e ele jogou o menino no carro. Ele ficou mais de meia hora jogado no chão ", disse a avó, muito abalada.

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