Prefeita se reuniu com o secretário de Saúde do estado de São Paulo
Carlos Alberto Soares/Divulgação
Prefeita se reuniu com o secretário de Saúde do estado de São Paulo

A Prefeitura de Itapetininga apresentou nesta segunda-feira (31) ao governo estadual o modelo de gestão do Ambulatório pós-Covid-19  no atendimento de pacientes recuperados da Covid-19 , doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Tido como referência na cidade, a ideia é que o formato seja adotado em outros municípios de São Paulo.

A apresentação foi feita pela prefeita da cidade, Simone Machetto (MDB), em encontro com o secretário Estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn. "A iniciativa do ambulatório específico foi muito bem recebida. Temos que pensar no pós-Covid e permitir que os traumas da doença sejam diminuídos", destacou Simone.

Com pacientes encaminhados após avaliação médica dos serviços de saúde do Hospital Municipal Dr. Léo Orsi Bernardes e das unidades de saúde do município, o serviço implantado em Itapetininga em julho deste ano já reabilitou pacientes com as mais diversas formas de comprometimento físico, que vão desde a falta de ar e cansaço à perda de massa muscular com disfunção motora.

O novo serviço tem a proposta de garantir acesso a um sistema integrado e multidisciplinar vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS), contando com acompanhamento de especialistas em pneumologia, fisioterapia e nutrição.

Um desses pacientes é o agente penitenciário Edinaldo Sampaio Cunha, 63 anos, que esteve internado por 34 dias, 13 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele ainda convive com as consequências da Covid-19 e foi o primeiro paciente a passar pelo atendimento no ambulatório.

"Começou com uma tossinha que foi aumentando. Minha filha insistiu comigo e procurei o Hospital de Campanha. Fiz uma tomografia e depois fui internado. Minha saturação estava em 38%. O vírus destruiu meu pulmão. Entrei no hospital no dia 14 maio e só saí em 17 de junho. Estou fazendo o tratamento no ambulatório com o Dr. Marcelo e com todo o pessoal e estou muito, muito melhor. Só no fim da tarde que sempre tenho tosse e uma certa dificuldade para respirar. Agradeço de coração a todos que cuidaram de mim", diz Cunha.

Com 13 quilos a menos, o morador de Itapetininga passou por terapias de fortalecimento de massa muscular e condicionamento físico como ginástica, esteira e exercícios específicos para as pernas. "Não conseguia nem andar e agora estou até dirigindo", destaca.

Embora o próprio Edinaldo afirme que esteja 95% recuperado, para o comprometimento respiratório, o caminho da reabilitação pode ser mais lento.
Estudos publicados em revistas científicas apontam que, em alguns casos, as sequelas da Covid-19 podem se estender por meses, exigindo intenso trabalho de fisioterapia respiratória para fortalecimento dos pulmões.

"As sequelas aparecem principalmente devido ao uso de oxigênio e/ou ventilação mecânica nos pacientes que apresentaram as formas moderadas e graves da doença", explica o pneumologista Marcelo Nunes Cardoso.

Edinaldo reconhece a gravidade da doença. Além dele, sete pessoas de sua família contraíram a Covid-19, incluindo sua esposa, filhas, netos e genros, todos com sintomas mais leves – "Eu fui o para-raios", comenta.

Católico, Edinaldo compara sua sobrevivência a uma milagre. 

"Deus deve ter algum propósito na minha vida. É um verdadeiro milagre eu estar aqui. E quero poder testemunhar algo que aconteceu comigo. Enquanto estive em coma, a única coisa que me lembro foi ter ouvido uma voz que dizia exatamente assim: ‘Filho, o meu mundo está doente e, ainda assim, estão virando as costas para mim’”. E conclui – “Não tenho palavras para agradecer a todos. O atendimento e cuidado comigo foram ‘sem comentários”. Deus abençoe a todos. Gratidão."

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