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Christian Braga/Greenpeace
Fogo na reserva extrativista Jaci-Paraná Extractive Reserve, em Porto Velho (RO)


Enquanto a  Amazônia queima e órgãos ambientais murcham com a falta de verbas, o Ministério da Defesa empenhou pouco mais de R$ 145,3 milhões para a compra de um microssatélite que fará o monitoramento da devastação da floresta.


A função já é exercida — e, segundo especialistas, com tecnologia tão ou mais desenvolvida — por outro órgão do governo federal, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Não há informação sobre licitação.

O custo do novo microssatélite é 48 vezes maior do que a verba prevista no orçamento deste ano (R$ 3,03 milhões) para projetos de monitoramento da terra e de risco de incêndios.

Intenção já virou polêmica

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, nesta segunda-feira (24), que a compra de um microssatélite pelo Ministério da Defesa é uma questão de "soberania". Mourão disse que o microssatélite terá outras funções, mas não entrou em detalhes .

"Isso aí é aquela discussão, cada um quer puxar a brasa para sua sardinha, né. O que que eu vou dizer aí pra ti: nós temos que ter soberania na questão do domínio de satélites. Existem sistemas da mesma natureza desse satélite que a Defesa está providenciando. Eu já comentei aqui com vocês, é o satélite com radar, o SAR, que ele consegue ver através da cobertura de nuvens, que hoje nós não temos essa capacidade, apenas em 10% do nosso território que é aquele Deter Intenso. Então, a Defesa está providenciando isso daí. Existe satélite japonês, existe satélite de outras nações aí que você compra a imagem, mas você não tem soberania. Faz parte do programa espacial brasileiro , está dentro da agência espacial brasileira", disse Mourão, ao chegar no Palácio do Planalto.

Mourão disse que o novo satélite irá " completar a cobertura " do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). "Não (é só para desmatamento), ele (novo satélite) completa a cobertura do Censipam. Uma das antenas desse satélite será instalada aqui em Formosa e ela se estende até a nossa plataforma marítima."

O microssatélite será custeado por recursos recuperados pela Operação Lava-Jato  — do R$ 1,06 bilhão destinados a ações ambientais, R$ 530 milhões couberam à pasta.


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