Bolsonaro discursando com tradutor de libras ao seu lado
Reprodução/TV Brasil
Jair Bolsonaro discursou em cerimônia de assinatura de MP da Vacina de Oxford


Em pronunciamento na  cerimônia de assinatura da Medida Provisória (MP) que libera R$ 1,9 bilhões para a produção da vacina de Oxford , que aconteceu nesta quinta-feira (6), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se referiu às medidas de isolamento social como “uma indecisão”.


Bolsonaro também se direcionou aos “críticos” da hidroxicloroquina, medicamento defendido e divulgado por ele, e fez críticas ao ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a quem se referiu como “comentarista da Globo”.

Bolsonaro iniciou seu pronunciamento reforçando a autonomia do médico diante da pandemia do novo coronavírus, afirmando que ele é quem deve decidir qual o melhor método para tratar a Covid-19 , doença transmitida pelo vírus.

“Se o médico fosse esperar exames eu teria morrido. E tinha que decidir. Mesmo que, se porventura, tivesse nada esterilizado, ele teria que cortar minha barriga naquele momento. Sempre digo, né? É um ensinamento militar”, afirmou o presidente.

Em seguida, ele direcionou críticas às medidas de isolamento social. Bolsonaro é a favor da retomada econômica e sempre se mostrou contra o chamado isolamento vertical, em que existe uma paralisação em massa das atividades. “Pior que uma decisão mal tomada é uma indecisão. Não pode ficar parado ali. ‘Fique em casa’, não dá!”, disse.

O presidente afirmou que “fica triste” com decretos de estados que proíbem o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19.

“A gente vê pessoas dando decreto proibindo determinado medicamento mesmo que não tenha comprovação científica, mas não apresenta uma alternativa. Quê que tá em jogo? Vidas! E desde o começo eu assumi essa postura. Eu tinha que fazer alguma coisa mesmo não sendo médico.”

Mesmo reconhecendo que não é um médico, Bolsonaro afirmou que conversou com muitos deles e que muitos defenderam o tratamento fora da bula, o chamado off label. O presidente afirma ainda que “muitas doenças estariam vivas até hoje” caso tratamentos esperassem por comprovação científica no passado.

Estudando um pouquinho, fui ver lá na Guerra do Pacífico. O soldado chegava ferido, não tinha mais de quem receber sangue. Daí descobriram que: ‘vamo meter água de coco na veia dele’. E deu certo! Dezenas, centenas de de vidas foram salvas”, comparou o presidente. “Se fosse esperar uma comprovação científica, quantas pessoas teriam morrido naquele momento?”, acrescentou.

Na ocasião, ele voltou ao assunto afirmando que o Governo Federal “está com a consciência tranquila”. “Lamento que alguns locais do Brasil, os respectivos chefe do Executivo, continuam proibindo [os medicamentos]. Repito, sem apresentar alternativa.”

Críticas a Mandetta

O presidente Jair Bolsonaro demite o ministro Luiz Henrique Mandetta
Pablo Jacob/Agência O Globo
Mandetta foi demitido da gestão de Bolsonaro após discordâncias sobre isolamento e hidroxicloroquina


Bolsonaro voltou a criticar em público a postura do ex-ministro Mandetta diante do Ministério da Saúde. Entre as principais divergências entre ele e o presidente, estava a alteração do protocolo da hidroxicloroquina, prática a qual o ministro era contra pela falta de comprovação.

“Tínhamos um protocolo do ministro primeiro, que mandava aplicar apenas em estado grave a hidroxicloroquina. Isso é jogar comprimido fora! Não precisa ter conhecimento nem cérebro para entender que é jogar comprimido fora. É perder vidas”, disse o presidente na cerimônia de hoje.

Ele afirmou ainda que a cloroquina também era aprovada por Osmar Terra (MDB). O médico teria dito a Bolsonaro que “a linha não era aquela”. “Lamentavelmente, esse ministro [Mandetta], virou aí um comentarista da Globo por várias e várias semanas”, disse o presidente.

Vacina de Oxford

Bolsonaro assinando MP
Reprodução/TV Brasil
Bolsonaro assinou MP para produzir vacina em cerimônia no Palácio do Planalto


Na cerimônia, Bolsonaro reiterou a possibilidade de que a vacina esteja disponível entre dezembro deste ano e janeiro do ano que vem . Segundo ele, após a aplicação, “esse problema estará vencido em poucas semanas”.

“E mais importante: nessa vacina, diferente daquela outra que um governador resolveu acertar com outro país, veio a tecnologia para nós”, afirmou Bolsonaro, referindo-se à vacina chinesa da Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan e ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Não é a primeira vez que ele ironiza a vacina da Sinovac, tendo feito críticas em sua primeira live após se recuperar do novo coronavírus .

O presidente ainda diz que foi feito o “possível e o impossível para salvar vidas”.

    Veja Também

      Mostrar mais