O cabo Fernando Mendes Alves, que trabalha no Centro Presente, foi preso na operação
Breno Carvalho / Agência O Globo
O cabo Fernando Mendes Alves, que trabalha no Centro Presente, foi preso na operação

Denúncias que levaram a realização nesta quinta-feira (9) da Operação Porto Firme contra a milícia que atua na Zona Oeste do Rio , apontam que o grupo paramilitar possui uma estrutura organizada em núcleos de atuação. A quadrilha é acusada de praticar crimes como extorsão, ameaças e homicídios.

“Os investigadores constataram que a organização criminosa , conhecida na região por atuar com extrema violência e com largo emprego de armas de fogo, não guardava em suas atividades uma separação rígida entre as tarefas atribuídas a seus integrantes, sendo possível, no entanto, identificar e destacar a hierarquia e a predominância no desempenho de funções de cada um, critério este utilizado para a divisão do grupo em núcleos”, diz trecho da denúncia.

A ação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio, com apoio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e a Corregedoria da Polícia Militar. Desde o início da manhã, os agentes cumprem 16 mandados de prisão e 51 de buscas e apreensões em diversos bairros do Rio. Três policiais militares estão entre os alvos.

Ainda de acordo com os promotores do MP, nessa estrutura, capitão da Polícia Militar Leonardo Magalhães Gomes da Silva, também conhecido como Capitão, assumia o topo do comando, tendo o cabo cabo Fernando Mendes Alves, o Biro, como braço-direito, o segundo na hierarquia do grupo criminoso.

Capitão Leo atualmente está lotado na Diretoria Geral de Pessoal, chamada de "geladeira da PM". Ele já é considerado foragido e estaria em Búzios, na Região dos Lagos. Já Biro, que foi preso, faz parte da Operação Centro Presente.

Segundo o Gaeco, além da interferência no trabalho das autoridades públicas, o cabo era responsável por orientar e decidir os rumos a serem tomados pelo grupo. Abaixo dele havia outros três criminosos que atuavam no núcleo gerencial do grupo. Existia ainda um trio operacional “composto por todos os demais membros do bando, exercendo tarefas tais como as de ‘vapor’ e ‘olheiro’, diante da principal atividade econômica do grupo, a venda de entorpecentes”, afirma o Gaeco .

Ana Lúcia da Silva Alves, de 54 anos,mãe de Gabriel da Silva Alves, o Biel, que é considerado o número três na hierarquia da milícia, foi presa em casa, na comunidade Pombo sem Asa, em Vargem Grande. Alves está foragido. Em interceptação telefônica autorizada pela Justiça, os investigadores descobriram que Ana Lúcia teria ordenado a morte de policiais civis que estavam investigando a quadrilha.

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