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Divulgação / Prefeitura do Rio
Segundo relatos, hospitais de campanha não têm leitos montados ou equipamentos próprios para o combate à pandemia


Em uma reunião entre representantes do governo estadual, da organização social Iabas e do setor privado da saúde do Rio, ficou decidido que a rede privada vai realizar visitas técnicas ao longo da semana nos seis hospitais de campanha que negocia para assumir. Uma das pessoas que participou da reunião contou ao Globo que o setor privado ainda verifica a viabilidade jurídica para o acordo e só após isso seria traçado um planejamento.

Segundo o governo do estado, durante a reunião o Iabas afirmou que as obras de quatro unidades deverão ficar prontas até o fim da próxima semana. A transição deve ser acompanhada pelo Ministério Público.

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"O próximo passo é a questão legal, documental. As áreas jurídicas do Iabas e do consórcio privado precisam conversar e haverá visitas técnicas a partir de amanhã. Precisamos de uma resposta rápida para a população. Não é uma negociação fácil, mas estamos trabalhando para conseguir o mais brevemente possível. Queremos o aval dos órgãos de controle para fazer essa ação e estamos chamando o Ministério Público do Estado do Rio para participar", disse o secretário de Saúde, Fernando Ferry.

De acordo com o cronograma apresentado pelo Iabas, o Hospital de campanha de São Gonçalo já está pronto, a unidade de Nova Iguaçu tem previsão de entrega para quarta-feira, Caxias deve ser finalizada até sexta-feira e Nova Friburgo será entregue no dia 7 de junho. As unidades de Campos dos Goytacazes e Casimiro de Abreu ficarão pendentes. Apesar de terem sido prometidas para o fim de abril, até agora apenas o hospital de campanha do Maracanã foi entregue pela OS, que continuará gerindo a unidade.

Com mais um atraso, Hospital de Campanha de Caxias tem goteiras e até mofo

Após mais um atraso e ver a inauguração prevista para esta segunda-feira ser adiada, o Hospital de Campanha de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, não tem leitos montados, equipamentos ou piso adequado. Em vários trechos, há buracos no teto e goteiras, inclusive em cima de sala de leitos. Esse cenário foi flagrado pelo deputado estadual Renan Ferreirinha (PSB), que visitou a unidade nesta segunda-feira. Parte do teto da lona principal aparece mofada.

"As goteiras dentro da unidade chamam muita atenção. Tem goteira no teto do CTI. Como pode ter goteira dentro de um hospital que iria inaugurar hoje [segunda-feira, 1º]? Esse local está longe de ser um hospital. Salas de UTI e enfermaria estão sem leitos e equipamentos, o piso está imundo e a iluminação é péssima", avalia o parlamentar.

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Nas imagens, é possível ver o local onde ficará o refeitório sujo e com muitas goteiras. Segundo Ferreirinha, o responsável pela visita afirmou que a diferença de temperatura de dia e de noite no município faz com que a lona que cobre as tendas fique com água condensada. O deputado aponta que a situação na unidade de Duque de Caxias é "precária e completamente atrasada", sem perspectiva de entrega.

Em algumas salas, há armários amontoados, sem organização. O deputado destaca que não encontrou salas de descanso e nem de acolhimento às famílias, duas estruturas existentes nos outros hospitais de campanha , nem responsáveis médicos. Do lado de fora, nossa equipe presenciou, nesta segunda-feira, máquinas e caminhões trabalhando. O local parecia um verdadeiro canteiro de obras. Havia materiais e equipamentos ainda sendo entregues durante a manhã.

É o terceiro hospital de campanha em obra a receber a visita do parlamentar, que tem fiscalizado as contas e os gastos do governo Witzel. No últimos dias, Ferreirinha também visitou as obras dos hospitais de São Gonçalo, na Região Metropolitana, e de Nova Iguaçu, na Baixada. Essas unidades estão sendo construídas pelo Iabas.

"O governo, mais uma vez, prometeu e não cumpriu, enganou a população. As obras do hospital estão muito atrasadas", destaca ele.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) deu, na última segunda-feira (27), um prazo de cinco dias para que o governo estadual se manifeste sobre contratações na área de Saúde que podem ter causado um prejuízo de até R$ 70 milhões aos cofres públicos.

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Em nota, o Iabas informa que apresentará ao TCE-RJ os valores dos contratos executados. Até as 16h, essa apresentação ainda não havia sido feita. A OS destaca ainda que o valor do contrato é uma previsão do que pode ser gasto "a depender do nível de investimento necessário para a gestão", durante seis meses, e que ele "não é necessariamente o valor desembolsado pela administração pública".

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