Na favela do Acari, bandidos estão punindo quem não respeita a quarentena
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Na favela do Acari, bandidos estão punindo quem não respeita a quarentena

Em nova tentativa de impedir que o coronavírus se espalhe ainda mais nas 700 favelas do Rio, o prefeito Marcelo Crivella determinou que comércios considerados não essenciais dentro das comunidades fiquem fechados pelos próximos sete dias, em decreto municipal que passou a valer nesta terça-feira (12). No entanto, em muitas áreas como Rocinha, Complexo do Alemão, Complexo da Maré e Cidade de Deus, é possível encontrar muitos bares, salões de cabelo, barbearias, lojas de roupas e de brinquedos ainda insistem em deixar as portas abertas.

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Um exemplo está nas comunidades do Parque União e Nova Holanda, na Maré. Nas principais vias das duas favelas, muitos estabelecimentos estão funcionando normalmente, o que acarreta uma aglomeração de pessoas pelas vielas.

"Muitos bares com músicas estão funcionamento normalmente. As pessoas não estão se dando conta da gravidade da situação. Infelizmente, muitas pessoas estão morrendo e outras bebendo e curtindo", conta uma empregada doméstica que vive no Parque União e pede para não ser identificada.

Segundo dados da prefeitura, a Maré já registra oficialmente 37 pessoas infectadas com a doença e seis óbitos. A mesma situação acontece na Rocinha, na Zona Sul. No local, mesmo com a insistência das autoridades, o comércio não essencial ainda continua aberto. Segundo Wallace Pereira, presidente da associação de moradores da comunidade, atualmente 70% dos habitantes da localidade não estão respeitando o isolamento social e, praticamente, todos os estabelecimentos estão abertos.

"A Rocinha não está aderindo ao nosso pedido para que fiquem em casa e que só funcione os estabelecimentos essenciais. Não adianta passar com carro de som, pedir na rádio comunitária. Infelizmente, só 30% da população daqui tem respeitado o pedido", afirma Pereira, que é favorável ao decreto da prefeitura.

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Moradores reclamam

Favela com 89 casos da Covid-19 e dez mortes em decorrência da doença, a resposta dada por comerciantes à Pereira, sobre manter os estabelecimentos abertos, é a questão da alimentação.

"Eles falam: “Como vamos comer? Como vamos pagar nossas contas? Ninguém vem aqui nos ajudar”. Mas eu digo que temos que fazer a nossa parte. E peço também que as autoridades olhem pela Rocinha. Muitas pessoas, lamentavelmente, estão passando fome", salienta o presidente da associação.

Moradora da Rocinha há mais de 58 anos, a aposentada Letice da Silva Fidêncio, 65, teve dois casos de parentes infectados pelo coronavírus nos últimos dias. Com medo, Letice, que é considerada como grupo de risco, lembra que a doença é severa, diz que se isolou e garante que só vai à rua para o necessário.

"Uma das minhas filhas e a minha neta foram infectadas. Foram diagnosticadas na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) e tiveram que ficar na quarentena. Elas ficaram bem ruins e isso tudo é muito triste. A população não tem respeitado. É bar aberto, é gente andando sem máscara. Tudo isso vai deixando a gente mais preocupada ainda. Eu tenho feito a minha parte. Entretanto, outras pessoas não", conta a idosa.

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Questionada se as autoridades vão conseguir fiscalizar os estabelecimentos dentro das comunidades, Letice é cética: "Vão conseguir fiscalizar como? Se nem com a quantidade de mortes o pessoal não respeita. Quando a fiscalização for embora, eles abrem novamente", afirmou.

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