Coronavírus
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SÃO PAULO. Uma menina de 11 anos morreu de coronavírus no último sábado em São Paulo com o quadro mais grave já visto no Hospital das Clínicas, referência para o tratamento da doença na capital. A vítima, que não tinha comorbidades e era saudável, apresentava sintomas de falta de ar e quadro de choque cardiogênico.

A gravidade do quadro da paciente preocupou a equipe médica, já que a maior parte das crianças infectadas pelo coronavírus apresentam sintomas leves. Ao dar entrada na sexta-feira (1) no Pronto Socorro da Lapa, na zona Oeste, a criança foi transferida imediatamente para a UTI do Hospital das Clínicas, onde não resistiu as várias tentativas de tratamento e morreu poucas horas depois.

O GLOBO apurou que a necrópsia do corpo da criança foi feita no domingo com a ajuda de ressonância magnética. Os resultados serão concluídos nesta quinta-feira e devem ajudar os médicos a compreenderem melhor o caso.

A coordenadora do Comitê de Crise do Hospital das Clínicas, Beatriz Perondi, pondera que são raros os casos de crianças que evoluem gravemente por infecção de coronavírus . Na pediatria da unidade até hoje esse é o segundo óbito - o outro caso foi de um bebê que apresentava comorbidade grave representada por uma síndrome genética.

-Mais de 95% dos casos da Covid-19 em crianças são tão leves que mal se percebe que elas estão resfriadas. Mas como temos muitos casos em São Paulo, alguns mais graves acabam acontecendo - explica Perondi. Ainda assim, a médica recomenda cautela aos pais, caso percebam sintomas como febre e falta de ar em seus filhos:

- Os pais devem ficar muito atentos aos sinais de gravidade de qualquer doença que esteja com algum sinal infeccioso, como febre, por exemplo. Se a criança começar a ficar muito prostrada, com falta de ar, com os lábios roxos. Se ela desmaiar, qualquer coisa nesse sentido precisa levar pro hospital - diz a médica.

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Segundo o último relatório epidemiológico divulgado pela prefeitura de São Paulo na semana passada, os casos de Covid-19 envolvendo crianças até 10 anos correspondem a cerca de 9% do total de doentes confirmados na cidade. Até 24 de abril eles totalizavam 96 crianças.

Relatos semelhantes nos EUA

A morte da menina de 11 anos teve um aspecto que intrigou os médicos, já que o quadro de choque cardiogênico apresentado tem similaridade com

casos relatados em outros países como Estados Unidos, Espanha e Itália. Especialistas britânicos, italianos e espanhóis investigam uma possível ligação entre a pandemia de Covid-19 e surtos de doenças inflamatórias severas envolvendo crianças ao redor do mundo que deram entrada em hospitais com febre alta e artérias inflamadas.

Em Nova York, epicentro do coronavírus nos Estados Unidos, pelo menos 15 crianças, de 2 a 15 anos, foram hospitalizadas com sintomas compatíveis com uma síndrome inflamatória rara e semelhante à doença de Kawasaki - enfermidade que causa inflamação nas paredes das artérias, principalmente as coronárias, o que pode limitar o fluxo sanguíneo para o coração. Nenhuma criança morreu em Nova York. Em geral, esses casos são tratáveis em crianças e a maior parte delas se cura, ainda assim pode levar a morte.

-É um choque que tem similaridade com a doença de Kawasaki em alguns fatores. Por que que é misterioso? Porque é uma doença nova mesmo. O que sabemos e já fomos informados é justamente isso que aconteceu em Nova York e outros lugares do mundo, onde teve essas crianças com choques cardiogênicos. E há uma certa similaridade com a doença de Kawasaki, uma inflamação dos vasos do coração - diz a coordenadora do Comitê de Crise do Hospital das Clínicas.

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