Midazolam e Fentanil são medicamentos que auxiliam na entubação de pacientes e estão em falta
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Midazolam e Fentanil são medicamentos que auxiliam na entubação de pacientes e estão em falta


Considerada como unidade de referência para tratamento da Covid-19, doença transmitida pelo novo coronavírus, o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, no RJ , recebeu denúncias de funcionários que relatam falta de medicamentos para sedar pacientes. Esse teria sido o fator que provocou seis mortes de pacientes que estavam internados na UTI das instalações. Ao RJ1, a prefeitura do Rio negou as acusações.

Esses remédios são normalmente utilizados em pacientes que precisam ser entubados em coma induzido, explica o presidente da Sociedade de Terapia Intensiva do Rio de Janeiro, Ulisses Melo.

Sem o sedativo, ele diz que o paciente “briga com a respiração dele mesmo”. “Com a respiração do ventilador mecânico, o paciente precisa do sedativo para não ter nenhuma contração muscular.”

Segundo apuração do RJ1, os remédios foram retirados do Hospital Ronaldo Gazolla e foram destinados ao hospital de campanha Riocentro, que foi feito pela prefeitura. Funcionários de Acari também alegam que respiradores foram levados.

No domingo, funcionários afirmam que houve reposição do sedativo, mas não o suficiente.

O RJ1 afirma que teve acesso a uma conversa em que diretores do hospital Acari estão discutindo. Um deles pede para que o serviço seja fechado de imediato. “A ausência de medicações vitais ao ser humano internado é fundamental para garantirmos a dignidade do atendimento”, escreveu.

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Outra médica diz que Midazolam e Fentanil estão em falta no Ronaldo Gazolla e que são “drogas imprescindíveis para a sedação de pacientes no CTI e que está em ventilação mecânica”. Sem eles, o paciente não é acoplado corretamente à prótese ventilatória.

Na tarde do último domingo, o Midazolam estava zerado. Um medicamento para manter a pressão, chamado Nerepirefrina, estava em quantidade insuficiente.

A falta de medicamento é o que tem aumentado de maneira rápida os óbitos no hospital. Por isso, as transferências de pacientes para a UTI serão bloqueadas.

Na mesma conversa, uma das pessoas se refere ao membro do gabinete de crise da prefeitura, Alexandre Campos, com quem discutiu que empréstimo de medicação de outros hospitais seria “ridículo”.

Procurado pelo RJ1, Campos afirmou que não há falta de remédios em hospitais da prefeitura e que havia insumos para todos os pacientes. "Nós temos uma dificuldade de obtenção de todos os insumos. Não é só nossa. É do estado, é da União", afirmou ao jornal.

Campos afirmou que as unidades realizam troca de materiais e que gabinete investigará erro em empréstimo.

A Defensoria Pública do Estado emitiu ofício nesta segunda-feira, 04, para ter informações sobre a relação da falta de remédio com as mortes do último domingo e acesso aos prontuários e atestados de óbitos do Ronaldo Gazolla. O hospital está trabalhando apenas com 222 leitos. A prefeitura prometeu entregar mais de 380 em 17 de março, mas não vieram porque houve um problema com os ventiladores.

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