aglomeração na rocinha
Márcia Foletto / Agência O Globo
No último domingo, o movimento de pessoas na Rocinha continuou intenso, como visto nos dias anteriores

A atitude de alguns moradores de comunidades de desrespeitarem o isolamento social, neste fim de semana, preocupa o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos. Um monitoramento feito pela prefeitura do Rio mostrou um aumento das aglomerações em algumas favelas cariocas, como Cidade de Deus e Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio.

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Segundo ele, as medidas de isolamento em favelas são limitadas e, por isso, apela para a população ficar em casa , principalmente aqueles que tiverem uma melhor condição financeira. Nos primeiros dias, quando foi decretada pelo governo do estado restrições à circulação de pessoas, o isolamento chegou a ter cerca de 70% de adesão, de acordo com as autoridades de Saúde.

"A população precisa entender que não há medidas que os governos federal, estadual ou municipais tomem, se não houver a contrapartida de cidadania de ficar em casa. Nas comunidades, as medidas de isolamento possíveis são limitadas. Por isso, quem tem condições habitacionais e financeiras de um isolamento mais intenso, deve fazê-lo em respeito e compaixão aos que não poderão", afirma o secretário.

Edmar diz que não existe uma resposta mágica de como resolver os problemas de saneamento ou de moradores. "Temos comunidades. É um problema sério? É. Como intervimos? Não sei, porque é um déficit habitacional social que temos no país todo. Tem favela, problemas de saneamento, morador de rua em todo o Brasil. Então vai ser um problema pro Rio? Vai. Temos uma resposta mágica de como resolver? Não. Mas não vejo como não vai ser um problema para o resto do país. Me reuni com os líderes das comunidades para discutir isso. O governo está tentando fazer a parte dele com as cestas básica, mas o empenho tem que ser de todos para frearmos essa doença. É um inimigo invisível. Se fossem leões soltos nas ruas, as pessoas respeitariam mais", acredita.

O estado calcula que o número de leitos planejado deve ser o suficiente para atender cerca de 20 mil casos de Covid-19 , evitando um colapso no sistema. Nas outras projeções, por exemplo, de 40 mil casos, haveria a necessidade de contar com cerca de dois mil quartos de CTI. Esse número é o total de leitos comuns que o estado está construindo em oito hospitais de campanha:

"Percebemos que de 10% a 15% dos infectados fazem forma grave e precisam internar. O sistema no momento tem capacidade de suportar a fase inicial da epidemia . Com os novos leitos, temos 2 mil dedicados à Covid-19. A estimativa é para uma população de 16 mil, 20 mil contaminados. Seria o adequado. Pode chegar a 40 mil, 50 mil, mas estamos tentando que não passe desse teto de 16 mil, o que a rede vai suportar", avalia Edmar Santos.

Com o colapso na saúde de alguns países, profissionais de saúde ao redor do mundo já convivem diariamente com a chamada “escolha de Sofia”, em que é preciso decidir qual paciente terá acesso ao respirador. Santos diz que trabalha todos os dias para evitar que isso ocorra no Rio:

"Talvez o maior trauma para os médicos e outros profissionais que estão sofrendo o pior, mais que a perda de colegas no exercício da profissão, seja se colocar diariamente, várias vezes ao longo do dia, na posição de escolher quem vive e quem morre. Isso é insuportável. Estou fazendo tudo para que isso não aconteça, até dentro do protocolo de ventilação de mais de um paciente com o mesmo equipamento".

Outra preocupação no estado é com os presídios do Rio. Superlotadas e com um ambiente propício para a propagação do vírus, as cadeias fluminenses podem se tornar um grande local de transmissão do coronavírus. Já há três casos de Covid-19 entre os servidores do sistema prisional fluminense. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, eles estavam afastados de suas funções e não tiveram contato com outros inspetores penitenciários nem internos.

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Ao contrário de São Paulo, o Rio não teve rebeliões após suspender as visitas nos presídios. Segundo o secretário de Saúde, isso se deve a um trabalho de diálogo junto aos presos:

"Temos o mesmo problema que nas comunidades: uma grande superlotação em lugar confinado. Não tivemos uma rebelião sequer porque tivemos um processo de convencimento de mostrar que era proteção deles e dos familiares. Eles são privados de liberdade, e é nossa responsabilidade cuidar da segurança deles. Vacinamos todos para sarampo e iniciaremos a (vacinação) da gripe. Se tiver uma escalada, há uma estratégia de tirar rapidamente quem está contaminado para tentar evitar a propagação. Mas há grande chance de ter um problema sério, se tivermos um surto".

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