Notas de dinheiro usadas para pagar propina foram fotografadas pela PF
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Notas de dinheiro usadas para pagar propina foram fotografadas pela PF

A Polícia Federal registrou em vídeos e fotos uma entrega de R$ 250 mil de propina que, segundo as investigações, teria como destinatária final a desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia , Sandra Inês Rusciolelli, presa desde o último dia 24 de março na quinta fase da Operação Faroeste.

O advogado Júlio César Ferreira, que assinou um acordo de colaboração premiada, foi acompanhado pela Polícia Federal quando foi receber uma caixa de dinheiro do advogado Vanderlei Chilante, que representava um produtor rural interessado em uma decisão da desembargadora referente a um milionário esquema de grilagem no oeste da Bahia. A PF fotografou Chilante saindo do seu carro com uma caixa e se dirigindo a um hotel na cidade de Rondonópolis (MT), onde Júlio César estava para receber a propina. A entrega ocorreu no último dia 16 de março.

Assim que recebeu a caixa, Júlio César subiu para seu quarto do hotel e entregou o material a agentes da Polícia Federal para que fosse realizada a contagem do dinheiro. As notas, de R$ 100 e R$ 50, foram retiradas das caixas e fotografadas. "Após realização da arrecadação de materiais possíveis para realização da perícia, agentes se dirigiram até a unidade em que estava hospedado o colaborador (quarto 707) e realizaram a conferência e contagem de todo o numerário deixado pelo advogado, conforme registros", diz o relatório da PF.

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Depois disso, o delator transportou o dinheiro até Salvador, onde iria entregá-lo para Vasco Rusciolelli, filho da desembargadora Sandra Inês, no dia seguinte, 17 de março. Todo esse processo foi acompanhado pela Polícia Federal. O dinheiro foi entregue a Vasco em um motel na capital baiana, segundo os registros da PF. Ainda de acordo com os registros, Vasco se dirigiu até a faculdade onde sua mulher estuda e entregou a ela uma mochila com as notas de dinheiro, para que depois ela levasse o dinheiro para a casa deles.

A PF , em seguida, foi até o prédio onde moram Vasco e sua mãe, a desembargadora Sandra Inês. Os apartamentos deles são vizinhos e possuem uma porta interna que dá acesso de um para o outro. Lá, a PF localizou parte do dinheiro no veículo de Vasco e, o restante, na residência. "A soma localizada no veículo foi de R$ 208.000,00. O valor total encontrado na residência e veículo foi de R$ 258.900,00", diz a PF em seu relatório sobre a diligência.

O material produzido pela PF faz parte das provas entregues pela Procuradoria-Geral da República ao apresentar denúncia contra a desembargadora Sandra Inês e seu filho Vasco, sob acusação de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A PGR também denunciou o advogado Vanderlei Chilante, que entregou o dinheiro ao delator, e o produtor rural Nelson José Vigolo, sob acusação de corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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A defesa de Sandra Inês apresentou habeas corpus na semana passada pedindo sua soltura, alegando que ela está no grupo de risco do coronavírus. Sobre o mérito da acusação, a defesa argumenta no habeas corpus que a decisão da desembargadora seguiu um entendimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, por isso, não faria sentido o pagamento de propina por ela. "A prisão preventiva está baseada exclusivamente nas provas produzidas pelo delator, que encenou comprar uma decisão que já era conhecida, com dinheiro marcado e supostamente entregue por quem já sabia da decisão do CNJ", disse no habeas corpus.

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