PAM de Irajá onde a paciente Maria Aparecida Freitas morreu com suspeita de coronavírus
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PAM de Irajá onde a paciente Maria Aparecida Freitas morreu com suspeita de coronavírus

"Me chamo Daniele Freitas e perdi a mãe, Maria Aparecida da Paixão Freitas. Eu enterrei minha mãe neste domingo, de caixão lacrado, de forma rápida, sem nenhum velório ou chance de despedida. Ela tinha só 59 anos. A suspeita é que ela foi infectada pelo coronavírus . Era alegre, uma pessoa amorosa e trabalhava como autônoma, indo diariamente da favela onde morava, a Para Pedro, em Colégio, na Zona Norte do Rio, até a Ceasa.

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Minha mãe era diabética e hipertensa. Sempre a levei para o hospital quando passava mal e a diabetes estava alta. Na terça-feira passada, dia 24, ela estava resfriada e a levei para UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) de Rocha Miranda. Lá, um exame acusou que a diabetes estava alta e ela foi medicada só para baixar os níveis. Em nenhum momento, o médico fez qualquer outro exame nela e a liberou para casa.

Quatro dias depois, no sábado, fui levar meu pai na UPA, porque ele estava tossindo muito. Até então, ela continuava resfriada, mas não estava sentindo nada. Na UPA, o meu pai foi medicado com antibiótico, mas ninguém tirou uma chapa (raio X) dele. Não fizeram nada. Ela também foi atendida por um médico, que parecia não ser daqui... Ela sempre foi calma para falar sobre seus problemas de saúde, mas ele foi tão ignorante com ela, quase gritando, e disse que só a diabetes estava alta.

Mas a minha mãe teve febre alta naquele mesmo dia. Percebi que a respiração dela estava ofegante, como se tivesse uma bronquite. Ela estava sentindo falta de ar, mas dizia que estava bem. Como a febre não baixou, eu a levei para o hospital, o PAM de Irajá. Chegando lá, por volta das 20h, nos colocaram em uma sala isolada. Ela estava conversando normalmente comigo.

O médico nos explicou que, aparentemente, ela estava com o coronavírus. Daí, ele disse que iriam entubar ela. Depois disso, ela nunca mais voltou. Eu não sei o que eles fizeram com ela lá dentro.

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Entramos sábado, às 20h, e ela conversou bem até 0h. Ter sido entubada acabou com a vida dela. Eles não falaram o que de fato aconteceu. No laudo, não diz que ela estava mesmo coronavírus, porque ela tinha outros problemas. No papel, está escrito que ela teve pneumonia, um dos pulmões estava com problemas, diabetes elevada e insuficiência respiratória com suspeita de Covid-19. Só vou saber quando sair o resultado do exame, acho que demora dez dias... Eu não sei, não me falaram nada.

Só penso que é um descaso. Sinto que gente que é pobre sofre muito, mas o rico não. O rico com dinheiro consegue tudo rápido, atendimento, faz tudo que precisam. Já o pobre sofre para ter qualquer atendimento. O pobre não pode ficar doente, não tem nem o direito de levar os pais para o hospital particular, porque não tem dinheiro, não tem plano de saúde. Essa é a minha indignação. Eu perdi minha mãe e ninguém vai trazê-la de volta.

A gente enterrou sem poder abrir o caixão, estava lacrado, tudo muito rápido. Nem nos despedimos direito dela... Estou arrasada, agora preciso dar todo o apoio para o meu pai, que tem 67 anos.

Minha mãe era trabalhadora, autônoma, ia todos os dias para Ceasa. A gente não tem ideia de como ela pegou isso (se pegou mesmo). Era uma pessoa maravilhosa, alegre. Morava com o meu pai e o meu irmão mais velho lá na comunidade Para Pedro, em Colégio, na Zona Oeste... Agora, temos que ter força para vivermos sem ela, porque ninguém vai trazê-la de volta ".

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Procurada, a Secretaria estadual de Saúde (SES), ainda não respondeu se a morte de Maria Aparecida Freitas é investigada por suspeita de coronavírus e nem sobre o atendimento dado à paciente na PAM de Irajá, na Zona Norte do Rio.

Responsável pela UPA de Rocha Miranda, a Secretaria municipal de Saúde (SMS) também não se posicionou ainda sobre o atendimento designado para autônoma nas duas vezes que ela esteve lá, no caso, em apenas quatro dias até o óbito.

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