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Isac Nóbrega/PR
Presidente Jair Bolsonaro

O Hospital das Forças Armadas (HFA), que realizou os testes de coronavírus no presidente Jair Bolsonaro e em nomes da sua equipe, informou oficialmente ao governo do Distrito Federal que teve apenas oito pacientes com diagnóstico positivo para o Covid-19. Bolsonaro não está entre esses nomes. O GLOBO teve acesso à lista. O documento foi enviado pelo HFA ao governo do Distrito Federal na última sexta-feira, após uma ordem da Justiça Federal ter obrigado o hospital a remeter essas informações ao GDF.

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Constam dessa relação nomes de oito pessoas, dentre servidores do Exército, do GSI e de outros órgãos públicos. Da equipe do governo Bolsonaro, há apenas o nome do contra-almirante Sérgio Ricardo Segóvia, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), que já havia anunciado ter testado positivo para o Covid-19 .

Não está na lista de testes positivos, por exemplo, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno, que havia anunciado no último dia 18 em uma rede social que fez teste positivo para coronavírus no HFA. "Informo que o resultado do meu segundo exame, realizado no HFA, acusou positivo. Aguardo a contraprova da FioCruz. Estou sem febre e não apresentou qualquer dos sintomas relacionados ao COVID-19. Estou isolado, em casa, e não atenderei telefonemas", escreveu Heleno em seu Twitter, no dia 18 às 9h20 da manhã.

Questionada na noite de ontem, sua assessoria informou que seu exame na verdade não foi feito pelo HFA. De acordo com a assessoria, a amostra de sangue para o teste foi coletada pela Coordenação de Saúde da Presidência e enviada para o laboratório privado Sabin — sem passar pelo Hospital das Forças Armadas.

O nome do presidente Jair Bolsonaro também não consta na lista de casos testados positivamente, mas não é possível saber se ele está na relação dos nomes testados negativamente, porque essa relação de todos os nomes não foi fornecida à Justiça. Bolsonaro fez duas vezes o teste para coronavírus e anunciou em suas redes sociais que o resultado foi negativo, mas não mostrou o laudo do exame. Fontes da área militar afirmaram à reportagem que, por questões de segurança nacional, o presidente teria a prerrogativa de não estar identificado nominalmente ao fazer um exame desse tipo.

Ao menos 23 pessoas que integraram a comitiva presidencial que viajou para Miami foram diagnosticadas positivo para o coronavírus. Não foi anunciado, entretanto, quantas dessas pessoas fizeram testes no HFA.

Após ter recebido a documentação, o governo do Distrito Federal afirmou à Justiça que a lista fornecida pelo HFA é a mesma que consta no Ministério da Saúde e que o hospital vem informando regularmente os nomes dos pacientes com diagnóstico positivo. A Secretaria de Saúde do governo do DF não diz se houve omissões nem nomes sigilosos nessa lista.

"Segue arquivo anexo com Correspondência Eletrônica (37644914) recebida em 20/março/2020, na qual são informados os 8 casos positivos do HFA, sendo os mesmos que constam no sistema do Ministério da Saúde", diz ofício da Diretoria de Vigilância Epidemiológica do governo do DF.

Os dados apontam ainda que o HFA informou um total de 160 casos suspeitos ao Ministério da Saúde, dos quais apenas aqueles oito foram testados positivamente. "Informo que no sistema oficial de notificação informado pelo Ministério da Saúde (RedCap), entre os dias 27/fevereiro/2020 e 25/março/2020, constam 160 notificações realizadas pelo Hospital das Forças Armadas de Brasília, sendo 8 confirmados até o dia de hoje", aponta outro ofício da Diretoria de Vigilância Epidemiológica do governo do DF.

Na segunda-feira, a Procuradoria do DF havia apontado à Justiça Federal suspeitas de omissão de nomes na lista, citando reportagem do jornal "Folha de S.Paulo". Na quinta, após ter recebido os dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica, a Procuradoria do DF apresentou nova petição à Justiça.

"Os documentos em anexo, encaminhados pelo senhor secretário de Saúde do Distrito Federal, demonstram que o Hospital das Forças Armadas (HFA) está informando regularmente às autoridades sanitárias distritais as situações de notificação compulsória, entre elas os casos de coronavírus", escreveu a Procuradoria. Com isso, a Justiça Federal determinou a extinção do processo em despacho da noite desta quinta-feira.

Por meio da assessoria do Ministério da Defesa, o HFA afirmou que repassou às autoridades epidemiológicas todas as informações sobre pacientes com coronavírus e que lança essas informações à medida que surgem novos casos positivos.

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"O HFA reitera que todas as informações, relativas aos pacientes no contexto da pandemia da COVID-19 , foram repassadas às Autoridades Epidemiológicas, sejam federais ou distritais, via sistemas regulamentares, sendo lançados à medida em que surgem novos casos positivos. Reforça, ainda, que todas as informações prestadas possuem salvaguarda constitucional, pois se referem à inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e, como tal, passiveis de punição no caso de uso ou divulgação indevidos", diz a nota do ministério.

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