A água baixou na maior parte da região metropolitana de São Paulo, mas as consequências do temporal que deixou cinco mortos na madrugada de segunda-feira ainda são evidentes no Morro do Socó , em Osasco.

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Por ali, um deslizamento provocou o soterramento de um menino de 7 anos, ainda internado. Moradores do Três Montanhas , próximo ao Socó, também tiveram suas casas destruídas e interditadas. Mais de 200 pessoas foram removidas pela Defesa Civil de áreas de risco e estão sem moradia.

Casas desabaram às margens de córrego
Tv Globo / Reprodução
Casas desabaram às margens de córrego


De acordo com a Secretaria de Habitação de Osasco, a cidade registrou 186mm de chuva, maior índice dos últimos sete anos, na segunda-feira. Um vídeo impressionante que circula nas redes mostra o momento em que o Morro do Socó, principal área afetada, cede às pressões da chuva.

Um casal foi socorrido com ferimentos leves e um menino de 7 anos, Kauê, acabou soterrado. Resgatado com vida pelo Corpo de Bombeiros, a criança teve uma parada cardíaca e está internada em hospital na cidade de Barueri , a cerca de 11 quilômetros do Socó, em quadro estável.

Segundo a prefeitura local, até agora foram removidas 81 famílias - ou mais de 200 pessoas - de áreas de risco. Os cidadãos foram encaminhados para cadastro na Casa da Cultura e Cidadania, que interrompeu atividades para se tornar um ponto de acolhida e redirecionamento das famílias afetadas.

Agentes da Defesa Civil, assistentes sociais, moradores das regiões afetadas e voluntários circulam pelo local o dia inteiro, onde também são distribuídas doações de comidas, alimentos e roupas para os afetados. As doações têm sido recolhidas pelo Fundo Social de Solidariedade da cidade. Na tarde de terça-feira, diversas remessas de doações em sacos chegaram ao local.

"A resposta está sendo boa. O pessoal tem sido muito solidário e ajudado bastante quem está aqui. Não conseguimos ajudar todo mundo. Mas o que está ao nosso alcance, temos feito", afirmou Gilmar Sousa, agente da Secretaria de Cultura da cidade que desde segunda-feira está organizando as atividades na Casa da Cultura. Segundo a prefeitura, uma força-tarefa com agentes de todas secretarias foi montada para atender as vítimas das chuvas.

Quem não tem para onde ir pode ser encaminhado para o Centro de Acolhimento e para o CEU (Centro Educacional Unificado) das Artes do Jardim Bonança, abrigos improvisados para receber as vítimas. Mas a maioria optou por seguir para casa de parentes, segundo dados da administração municipal.

Na Casa da Cultura, também é feito atendimento para os moradores entrarem na fila de auxílio-aluguel emergencial, de cerca de R$ 400. Funcionários da prefeitura que realizam o cadastramento das famílias, no entanto, não sabem estimar o tempo de espera para obtenção do aluguel para as famílias desabrigadas. O valor e a indefinição do prazo para início do recebimento do benefício preocupam moradores que perderam tudo no incidente.

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"O barranco caiu em cima da nossa casa, bateu no muro, no telhado e rachou as paredes. Entrou muita água e terra. Passei a noite na casa do meu pai, mas quem não tem onde ficar está indo para um abrigo. Minha mãe passou a noite de favor na casa de outra pessoa e hoje veio tentar o bolsa-aluguel. Mas acho que não vai dar muito certo, não. São 400 reais, não dá pra alugar uma casa. Não é o suficiente, nem aqui na região", contou Nayara Ferreira, de 16 anos, enquanto aguardava atendimento com a irmã Ana Alice, de 3 anos. "Eu acho que vão derrubar nossa casa e não poderemos voltar. Tá tudo lá ainda, estamos pegando o que a gente pode. Eu tirei umas 4 mochilas de roupa, meus documentos e da minha irmã. Segunda-feira eu ia voltar pra escola, mas agora já nem sei mais."

Num dos morros próximos ao Socó, o Três Montanhas, a chuva também destruiu casas e deixou desabrigados. A vendedora Marilene Silva, de 30 anos, e sua cunhada Luciana Batista, de 47, são vizinhas e moradoras do morro há 4 anos. A casa de Luciana foi destruída pela chuva, e a de Marilene, alagada e com rachaduras, corre o risco de desabamento.

Ambas foram orientadas a continuar em suas casas até a vistoria da Defesa Civil, o que consideram impossível. Moradores também reclamam da demora na avaliação das casas pelo órgão. O laudo que atesta a interdição da residência é documento essencial durante o processo de obtenção de assistência social pelos moradores.

"O morro está deslizando na pedra. A estrada de acesso também caiu", contou Luciana, cujos braços foram feridos durante o desabamento. "Na hora que vi as telhas, a madeira, o barranco na minha direção, pensei: “morri”. Acho que preciso passar no médico, não consegui dormir. Na hora que fecho os olhos, parece que vêm aquelas telhas de novo, tudo caindo em cima de mim. Falaram que a gente tem que ficar lá (na casa) até a Defesa Civil avaliar. Mas ainda não consegui voltar."

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