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Reprodução / Polícia Civil
Adriano Nóbrega morreu durante um confronto com a polícia no último domingo (9).

Sete janelas, portas na frente e também nos fundos, localização às margens de uma estrada asfaltada. O ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega buscou características específicas no imóvel que usou para se esconder no pacato distrito de Palmeiras, município de Esplanada , na Bahia.

A ideia era facilitar a saída no caso de fuga. O quesito proteção também entrou na lista. A casa onde o ex-capitão do Bope acabou morto no último domingo pela polícia local tem duas porteiras, um muro de pedra com mais de dois metros altura e ainda uma cerca de arame farpado. Segundo a secretaria de Segurança da Bahia, o miliciano apontado como chefe do Escritório do Crime — organização que é investigada por uma série de assassinatos por encomenda, entre eles os da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes — foi baleado após reagir ao cerco de agentes e disparar com uma pistola Glock. A polícia diz ainda que ele foi socorrido e levado com vida até o hospital, onde morreu.

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Em frente a uma das portas do sítio, uma mancha de sangue (de 30 a 40 centímetros) é o único indício de que um tiroteio pode ter acontecido ali. Adriano foi tingido por dois tiros. Na fachada da casa, no entanto, não há marcas. O sangue indica que o ex-capitão foi baleado do lado de fora ou que teria sido arrastado até lá depois de ser atingido dentro da residência. Nesta quarta-feira, a principal porteira que dá acesso ao imóvel está fechada com um cadeado. Não há fita de isolamento ou qualquer outra demarcação.

Moradores do distrito de Palmeiras, que pediram para não ser identificados, disseram ter acordado, na manhã de domingo, com o barulho de tiros . "Na hora foi uma agonia danada. Fiquei trancada com meu menino e chamei por Deus. Estou até agora tentando esquecer o que aconteceu naquele dia", contou uma moradora.

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Outro vizinho disse ter se surpreendido com o barulho dos tiros e a presença da polícia cercando a casa. "Escutei muitos tiros e vi os carros da polícia. Pensei que fosse um assaltante de banco. Só mais tarde soube que era um miliciano do Rio de Janeiro. A gente fica assustado porque aqui é um lugar tranquilo, e a violência não é comum".

O imóvel onde Adriano foi localizado pela polícia pertence ao vereador do PSL Gilsinho da Dedé, de Esplanada. Segundo ele, a casa foi invadida pelo ex-capitão, a quem desconhecia. Adriano teria sido levado até lá pelo fazendeiro Leandro Guimarães, que disse à polícia ter sido obrigado pelo ex- Bope — na véspera da operação. Leandro chegou a ser preso por conta de três armas encontradas na residência, mas a Justiça da Bahia concedeu sua liberdade provisória.

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