carnaval não é não
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Assédio sexual durante o carnaval é crime.

O carnaval 2020 em São Paulo promete ser o maior do país, acima dos tradicionais festejos que ocorrem no Rio de Janeiro, Recife, Olinda e Salvador em número de blocos de rua. São 678 blocos que trarão marchinhas, carimbó, forró, toadas, e rancho. Grupos com estilos como soul music , eletrônico, sertanejo, hip-hop e rock também vão ocupar as ruas da capital mais rica e diversa do País. Para facilitar a vida do folião que deseja saber quais são os locais mais seguros para festejar na cidade, montamos um mapa com dados sobre as áreas que mais registraram ocorrências policiais no carnaval de 2019 .

República: área com mais crimes registrados em 2019

A República , no centro, foi a área paulistana com maior número de crimes registrados pela Polícia Militar (PM) em 2019. Durante os desfiles carnavalescos, a área teve 1.262 ocorrências. O segundo lugar em que houve mais incidências de crimes foi a Avenida Brigadeiro Faria Lima , na zona oeste, com 398 ocorrências, seguida da Avenida Marquês de São Vicente, na mesma região, com 163 casos registrados. 

Furto de celular e golpe do cartão

O furto está em primeiro lugar entre os crimes mais praticados no carnaval paulistano . No ano passado, a Polícia Militar registrou 1.981 ocorrências durante a passagem de megablocos. O número é menor que os registrados em 2018 na República, no qual ocorreram 2.172 ocorrências gerais e 3.421 furtos na cidade durante o carnaval.

O estudante de Serviço Social, Pedro Magalhães, foi uma das vítimas de furto no carnaval . Após sair da casa de um amigo, ele passou em um mercado para comprar bebidas e seguir rumo à Faria Lima.

“O metrô estava pipocando de gente, literalmente um formigueiro. Ao chegarmos na escada rolante, havia um congestionamento tão grande quanto na marginal tietê em horário de pico. Quando finalmente conseguimos ir para rua, enfrentamos muito calor e resolvemos comprar mais uma cerveja. Nesse momento, coloquei minha mão no bolso e não tinha nada. No final das contas, acabei sendo furtado naquele amontoado de gente que estava no metrô”. 

Leia mais: Campanhas tentam conscientizar foliões no carnaval em temas além da festa

Nas estatísticas das vítimas também está a analista de Comércio Exterior, Vitória Carvalho. Além de assaltada, ela foi alvo da prática de phishing , termo em inglês que representa a tentativa de obter de informação pessoal por uma falsa identidade, em um contexto cibernético.

“Eu estava em um bloco. Tinha acabado de comprar um iPhone X. Mantive ele o tempo todo dentro da doleira, até que, já no final do bloco, eu e uns amigos nos concentramos na Av. Ipiranga, caminhando em direção ao metrô. Passou um rapaz de bicicleta e arrancou ele da minha mão e seguiu no sentido da Major Sertório, na República. Depois disso, chegaram a me encaminhar uma mensagem dizendo que eram da Apple, pedindo meu ID e senha. Achei estranho o número, o SMS e a formatação. Liguei na Apple e eles confirmaram que era um golpe”. 

Foliões também registraram o golpe da troca de cartão bancário, feito por ambulantes. A maior incidência aconteceu no centro e na zona oeste de São Paulo. O crime acontece quando os ambulantes vendem bebidas ou alimentos e, durante a devolução após a passagem do valor na maquininha, o cartão que vai com o folião não é o dele. A senha é decodificada e os ambulantes vão até um caixa eletrônico para sacar o dinheiro da conta. 

Assédio sexual

Apesar da Polícia Militar não ter disponibilizado dados sobre pessoas detidas por importunação sexual , representantes de 49 blocos de carnaval criaram uma comissão em agosto de 2019 para combater o assédio no carnaval de 2020. A comissão feminina contra o assédio tem quatro eixos principais de discussão: ações de combate ao assédio, mais segurança, melhoria na comunicação e na redução de danos. A distribuição de camisinhas femininas, além de mais banheiros, médicos e policiais também está entre as pautas do grupo. 

Força-tarefa no carnaval 2020

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou que o carnaval de 2020 será monitorado em tempo real por meio do Dronepol , equipamento de filmagem que sobrevoa áreas da cidade, comandado pela Polícia Militar (PM). As equipes serão analisadas por policiais treinados para identificar atitudes suspeitas na multidão. “Ações preventivas e ostensivas de policiamento serão intensificadas ao longo de todo o período de Carnaval a fim de combater práticas criminais, inclusive as de cunho sexual”, diz a SSP.

Confira a nota na íntegra:

A SSP informa que as ações preventivas e ostensivas de policiamento serão intensificadas ao longo de todo o período de Carnaval a fim de combater práticas criminais, inclusive as de cunho sexual. Além do reforço no patrulhamento por meio de diferentes programas, serão instalados postos de apoio nos principais corredores de desfiles de blocos e no Sambódromo. Os locais de eventos contarão ainda com monitoramento em tempo real por meio do Dronepol. As imagens serão analisadas por policiais treinados a identificar atitudes suspeitas em meio aos foliões e nas áreas próximas ao evento. A Polícia Militar tem participado das reuniões com a prefeitura, órgãos de transportes, cultura municipais e estaduais, para definição das estratégias de segurança, como efetivo, locais e horários. A Polícia Civil está trabalhando com o planejamento estratégico para aprimorar o atendimento policial nos plantões. A Superintendência da Polícia Técnico Científica manterá força tarefa, sobretudo, no litoral paulista, dando continuidade à Operação Verão.

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