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Grupo conta que foi impedido de usar mesmo banheiro que clientes brancos. Além dos funcionários, vítimas foram linchadas por populares

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Foto: Reprodução/Facebook
Grupo foi agredido pelos seguranças e linchado por populares

Cinco j ovens negros denunciam terem sofrido agressões racistas por parte de seguranças e pelos donos de um bar próximo a Pedra do Sal, no bairro da Saúde, região central do Rio, na madrugada deste sábado.

Entre as vítimas, três mulheres e dois homens, está a integrante do coletivo artístico Slam das Minas Andrea Bak, que relatou o caso em suas redes sociais.

Na publicação, Bak conta que ela e os amigos foram linchados depois que foram impedidos de usar o banheiro do estabelecimento que seria destinado a clientes brancos.

Ela diz que os agressores usaram barras de ferro e tacos de beisebol, além de socos e ameaças com arma de fogo. A confusão teria atraído pessoas para o local, que também lincharam o grupo. "Foi uma agressão gratuita ao nosso grupo e só queremos justiça e que eles não façam isso com mais ninguém", diz trecho da postagem.

Ainda na publicação, a Andréa diz que esse não é o primeiro relato de agressões por parte de funcionários do bar e pede ajuda para denunciá-los. "Já há relatos de que agrediram mulheres nesse bar. Eles não podem sair impunes disso. Estamos todos lesionados fisicamente e com o psicológico destruído. Na segunda-feira a Pedra do Sal já vai estar lotada e esses caras que nos agrediram comandando o bar novamente. Precisamos de ajuda! Fiquem em alerta!", diz a publicação.

A deputada federal Talíria Petrone (PSOL) e a viúva da vereadora Marielle Franco (PSOL), a arquiteta Mônica Benício, compartilharam o relato em suas redes sociais com as legendas "racistas não passarão" e "vidas negras importam." O nome do bar e das outras vítimas não foi divulgado. Andrea e o grupo vão registrar o caso nesta segunda-feira.

A Pedra do Sal faz parte da região chamada de Pequena África, no Centro do Rio. Símbolo da cultura negra, o local abriga uma tradicional roda de samba às segundas-feiras. O lugar era ponto de encontro de africanos e baianos no Rio no início do século XIX, e é considerado o berço do samba de roda no Rio, com nomes como Donga, Pixinguinha e João da Baiana.