Jura quando foi preso pela Draco; hoje, ele está no regime semiaberto
Pablo Jacob / 27-8-2009 / Agência O GLOBO
Jura quando foi preso pela Draco; hoje, ele está no regime semiaberto

A prefeitura de Belford Roxo nomeou Juracy Alves Prudêncio, o Jura, acusado de comandar uma milícia, para um cargo comissionado na Secretaria municipal de Defesa Civil e Ordem Urbana. Ex-sargento da PM, ele cumpre pena de 26 anos de prisão em regime semiaberto por associação criminosa e homicídio. Segundo duas sentenças, ele era chefe do Bonde do Jura, milícia acusada de uma série de homicídios.

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Jura foi nomeado assessor de gabinete da secretaria no dia 1º de agosto de 2017. Três meses antes, o ex-PM conseguiu, na Justiça, passar do regime fechado para o semiaberto. Logo depois, pediu permissão à Vara de Execuções Penais (VEP) para trabalhar fora do cárcere como diretor de Departamento de Ordem Pública da prefeitura . A licença foi concedida em 12 de julho daquele ano.

De acordo com a decisão da juíza Cristina de Araújo Góes de Lajchter, Jura teria que cumprir “horário de trabalho das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira, incluída uma hora de almoço, e sábados, das 9h às 14h, mediante controle de presença por folha de ponto, sendo autorizada a saída duas horas antes e o retorno duas horas após as atividades”.

Jura estava preso desde 2009, quando foi o principal alvo da Operação Descarrilamento, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que levou para a cadeia nove PMs.

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Em 2008, Jura foi candidato a vereador de Nova Iguaçu pelo Partido Republicano Progressista (PRP). Com 9.335 votos, não conseguiu se eleger. De acordo com investigações, o ex-PM usou a estrutura da milícia para fazer a campanha. 

A primeira vez que a Justiça condenou Jura foi em 2010, a quatro anos oito meses de prisão pelo crime de associação criminosa. Na ocasião, o juiz Marcos Augusto Ramos Peixoto, da 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, determinou a perda da função do então sargento. Ele foi expulso da PM.

Em 2014, Jura foi condenado a 22 anos por assassinato. Ele recorreu ao Superior Tribunal de Justiça, sem sucesso.

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A prefeitura de Belford Roxo alegou que Jura, apesar de ter sido nomeado, “nunca tomou posse, ficando, assim, sua nomeação sem efeito”. A administração do município informou que nunca pagou salários ao ex-PM. Ele não foi localizado para comentar o assunto.

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