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Dois dos três universitários de classe média alta presos por homofobia em Goiás justificaram agressão por terem sido chamados de "negros" na rua

Antônio de Oliveira Filho vítima de homofobia em Goiás arrow-options
Reprodução
Jovem foi agredido em Goiânia após ser seguido por universitários

Antônio de Oliveira Filho, de 24 anos, jovem homossexual que aparece em vídeo sendo seguido e agredido por dois homens em uma rua de Goiânia  (GO), conversou com o IG após a prisão de dois dos três suspeitos, que o teriam agredido por motivo de homofobia. Ele se disse novamente violentado com a justificativa encontrada pelos jovens, que se disseram alvo de discriminação racial. 

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A vítima estava indo para o trabalho, no dia 6 de julho, quando foi abordado por um trio que teriam disparado palavras de cunho homofóbico e socos . Em entrevista ao IG , ele conta detalhes do caso que repercutiu nas redes sociais e pode ser o primeiro no País a se beneficiar da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalização da homofobia

Caio César Rodrigues Sampaio e Lucas Vilela Martins, ambos de 20 anos de idade, foram presos pela Polícia Civil nas primeiras horas do dia em apartamentos de luxo de Goiânia. Um terceiro agressor, que não aparece nas imagens, está sendo procurado. Em depoimento no 4º Distrito Policial, os universitários disseram ao delegado Carlos Caetano Júnior que a ação flagrada em vídeo se deu porque eles teriam sido chamados de "negros". Até o fechamento desta reportagem, o advogado dos estudantes, Eduardo Brown, não foi localizado. 



Entrevista

IGFoi a primeira vez que sofreu um ataque homofóbico?

Antônio de Oliveira Filho: Fisicamente, sim. Mas, verbalmente, já tinha sofrido. Sempre foram ataques relativamente leves, mas que deixam traumas. Piadas na escola, no ambiente de trabalho. Já saíram de perto de mim em um cinema por eu ser gay.

Como tudo começou? 

 Assim que eu passei por eles, comecei a ser ofendido. 

Você olhava para eles?

 Não, mas eles continuavam me xingando, dizendo que "viado" tinha que apanhar; que morrer. 

Em que momento você percebeu que estava sendo vítima de homofobia?

 A partir da primeira palavra que eles me disseram. Já começaram me chamando de "viado"; de bichinha. Disseram que eu tinha que morrer e que iam me ensinar a ser homem. 

Qual foi o pior momento?

 Quando recebi o primeiro soco. Não acreditava que estava passando por aquilo, como se fosse outra pessoa. É o momento em que eu me senti muito humilhado e pequeno. Enquanto eu viver, vou me lembrar disso. 

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Um deles te jogou um copo. Você percebeu? 

 Sim, até me desviei. Me assustei e olhei para trás, tentando entender o que estava acontecendo. Eles continuram me xingando. Em seguida eles vieram para cima de mim. Os gays são humilhados desde criança, mas não pensei que sofreria uma agressão física, na rua da minha casa. 

Depois das agressões físicas, você correu. Para onde foi?

 Corri para um mercado. Estava tremendo e chorando. O pessoal do mercado me deu água e apenas depois de uns 30 minutos eu fui para o trabalho. Mas não conseguia trabalhar, entrei no banheiro e chorei muito. 

Em entrevista, a mãe de um dos agressores disse que você foi racista com ele...

 Ser acusado de racismo foi o segundo soco que levei. Eu sempre levantei bandeiras a favor dos negros, dos gays, das pessoas sem voz. Eu jamais ofenderia alguém por conta da cor da pele. Eu tenho consciência que o que fizeram não tem nada a ver com cor da pele, mas pelo caráter. 

 O que você aprendeu com essa experiência?

 Antes de ser agredido, eu tinha receio de falar abertamente sobre o que eu enfrento. Quando eu tinha que defender as pessoas, eu levantava a bandeira. Mas sobre mim, eu não conseguia. Eu diminuía a minha situação, falava que superaria. Desta vez eu aprendi que é importante pedir ajuda. Denunciando, eu dou voz às pessoas, incentivando outras vítimas de homofobia a falar sobre a violência que sofrem.

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