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Relatório divulgado pela CET mostra que houve 828 casos fatais no trânsito de São Paulo no último ano; motociclistas superaram pedestres pela 1ª vez

Acidente
Reprodução/TV Globo
Ao todo, capital paulista registrou 828 acidentes fatais no trânsito

Nesta quinta-feira (23), a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo divulgou os dados de 2018 do Relatório Anual de Acidentes de Trânsito e constatou um aumento de 6,5% no número de mortes na cidade, principalmente envolvendo motociclistas, que ultrapassaram os pedestres pela primeira vez na lista de principais vítimas.

Ao longo de todo o ano passado, a capital paulista registrou 828 acidentes fatais de trânsito, que ocasionaram um total de 849 mortes . Destas, 322 aconteceram em locais com até 2 quilômetros de distância da residência da vítima, um total de 38%.

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A inédita análise da localização dos óbitos só foi possível devido ao cruzamento dos dados do relatório da CET com informações da Secretaria Municipal de Saúde , que também disponibilizada custos com internações hospitalares.

O cruzamento, realizado em parceria com a Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito, permite aprimorar as políticas públicas de segurança na mobilidade, por meio do acesso a dados como o local do acidente em relação à casa da vítima e os custos hospitalares com a internação.

O levantamento apontou ainda que as marginais Pinheiros e Tietê, além das rodovias dos Bandeirantes e Raposo Tavares, são as vias em que mais ocorreram os acidentes . Em 2018, foram 16 mortes na Bandeirantes (ante cinco acidentes em 2017), e 16 na Raposo Tavares (três, em 2017).

Estatísticas dos acidentes

Em relação a 2017, houve um aumento de 6,5% no total de mortes no trânsito –de 797 óbitos para 849, no ano passado. No cômputo geral, também subiu o índice de mortalidade por 100 mil habitantes, que foi de 6,56 em 2017 para 6,95 em 2018 – alta de 5,9%.

Os acidentes fatais mais frequentes foram os atropelamentos, com um total de 350, seguidos por colisões (entre dois veículos) e choques (impacto de um veículo contra um obstáculo fixo), que somaram respectivamente 235 e 148 ocorrências. Sobre as vítimas, o maior número de óbitos concentra-se na faixa dos 20 aos 39 anos de idade para os motociclistas e de 40 aos 69 anos para os pedestres.

A cada dez óbitos, oito vítimas são homens e duas são mulheres. Entre os motociclistas, 91% dos óbitos são de homens. Os acidentes de trânsito fatais acontecem majoritariamente nos períodos da madrugada e noite dos sábados e domingos. Um terço dos óbitos se dá no local do acidente e 95,8% até quinze dias depois.

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Características das vítimas

Pela primeira vez, o número de óbitos de motociclistas em acidentes de trânsito ultrapassou a quantidade de pedestres que morreram atropelados. Foram 366 vítimas fatais que estavam em motos, ante 349 pessoas a pé. Outro dado relevante é o aumento do número de mortes dos motofretistas, que passou de 28 em 2017 para 50 no ano passado, o que representa 14% do total de motociclistas mortos.

Em relação a pedestres, das 349 vítimas fatais, 78 (22%) tinham 60 anos ou mais. Já o total de mortes de ciclistas no trânsito caiu de 37 em 2017 para 19 no ano passado, uma redução de aproximadamente 50%. 

Custos hospitalares

O cruzamento de dados com a rede municipal de saúde revelou que,  das 849 vítimas fatais de acidentes de trânsito no ano passado, 236 (28%) morreram no local da ocorrência ou a caminho do hospital. Dos 613 óbitos restantes, 158 vítimas foram atendidas no SUS , sendo 84 pedestres, 52 motociclistas, 14 condutores ou passageiros de veículos, cinco ciclistas, além de três passageiros de ônibus.

Os pedestres que morreram haviam ficado internados, em média, por quatro dias, com um custo médio de R$ 3.876 por internação e custo total de R$ 174.418. Motociclistas ficaram hospitalizados por dois dias, em média, com custo médio de R$ 4.347 por vítima fatal e custo total de R$ 173.866.

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Condutores e passageiros de automóveis e caminhões tiveram a média de três dias de internação até virem a óbito, com um valor médio de R$ 3.307 pelo período que passaram hospitalizados e custo total de R$ 33.070. Ciclistas passaram hospitalizados, em média, um dia, com valor médio de R$ 2.425 por internação e custo total de R$ 12.124. E passageiros de ônibus ficaram, em média, hospitalizados 11 dias, com custo de R$ 1.530 por hospitalização, além do custo total de R$ 3.060.