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Clube hípico vai oferecer 15 bolsas de atendimento terapêutico para crianças e adolescentes com necessidades especiais, em 2019, e busca ampliar recursos para atender fila de espera

Equoterapia é um método terapêutico e educacional reconhecido que utiliza o cavalo e o ambiente equestre na reabilitação de pessoas com deficiência física ou intelectual
Luis Ruas
Equoterapia é um método terapêutico e educacional reconhecido que utiliza o cavalo e o ambiente equestre na reabilitação de pessoas com deficiência física ou intelectual

Quem anda a cavalo sabe o prazer que esta atividade proporciona para o corpo e para a mente, mas a grande maioria desconhece todos os benefícios que a prática pode oferecer para crianças, adolescentes e adultos com necessidades especiais. A Hípica Paulista mostra todas elas.

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Engajada nesta missão, a Sociedade Hípica Paulista tem um Projeto Social que oferece Equoterapia para crianças e jovens com necessidades especiais que não possuem condições financeiras para arcar com o tratamento: o investimento é de R$ 930 por mês, com atividade de 45 minutos, uma vez por semana.  

A Equoterapia é um método terapêutico e educacional reconhecido que utiliza o cavalo e o ambiente equestre na reabilitação de pessoas com deficiência física e/ou intelectual e que promove benefícios motores, sensoriais, cognitivos, emocionais e sociais que ajudam no desenvolvimento.

Os recursos do Projeto Social são captados por meio de doações de pessoas e empresas e também nos eventos da SHP, que têm parte da renda revertida para a Equoterapia. Outra fonte de recursos é a campanha “Apadrinhe uma Criança”. Durante seis meses ou um ano, é possível investir um valor mensal a partir de R$ 519 e ser padrinho de uma criança.

Em janeiro de 2019, serão oferecidas 15 bolsas gratuitas para a Equoterapia, mas a lista de espera é de 63 crianças. “Nossa meta é chegar a 20 bolsistas. Gostaria de convidar as empresas a estarem neste projeto conosco”, reforça Lilian Fernanda Chateau, fisioterapeuta especialista em Psicomotricidade e coordenadora do centro de Equoterapia da Sociedade Hipica Paulista.

Projeto Social da SHP oferece Equoterapia para crianças e jovens com necessidades especiais que não possuem condições financeiras para arcar com o tratamento
Luis Ruas
Projeto Social da SHP oferece Equoterapia para crianças e jovens com necessidades especiais que não possuem condições financeiras para arcar com o tratamento

No total, entre pagantes e bolsistas, são 120 praticantes do centro de Equoterapia, atualmente, que utilizam 6 cavalos de raças diversas. “O mais importante não é a raça do animal, mas a índole. O cavalo precisa ser calmo, tranquilo e dócil e aprender com facilidade”, conta Lilian.

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Os valores provenientes das doações recebidas e das arrecadações em eventos da SHP  são destinados a três programas diferentes dos bolsistas: o Atendimento Individual; o Volteio Interativo; e a Bolsa-Atleta, de incentivo ao esporte paraequestre.

No Atendimento Individual, são atendidas crianças e jovens com deficiência física, com a utilização do cavalo para reabilitação. O custo mensal por criança para doação é de R$ 519. No Volteio Interativo, o atendimento é feito em grupo de pessoas com deficiência física e/ou intelectual. O enfoque é o trabalho em equipe, comunicação, autoestima, liderança e autoconfiança. O programa tem duração de 6 meses e o grupo é composto por 5 jovens de 12 a 18 anos. O valor de investimento por grupo é de R$ 601 por mês.

Já no Incentivo ao Esporte Paraequestre, os recursos são investidos em atletas do Adestramento Paraequestre, com treinamento de 2 a 3 vezes por semana, inscrições de prova e custo de translado e exames do animal para a prova. O investimento mensal é de R$ 1.100.

A SHP vai oferecer 15 bolsas gratuitas em 2019 e busca ampliar recursos por meio de doações de pessoas e empresas para atender fila de espera
Lilian Chateau
A SHP vai oferecer 15 bolsas gratuitas em 2019 e busca ampliar recursos por meio de doações de pessoas e empresas para atender fila de espera

“Os resultados da Equoterapia emocionam. Crianças autistas passam a criar vínculos e melhoram sua comunicação. Pessoas com deficiência física melhoram suas funções motoras e mobilidade; outras com problemas emocionais passam a ter melhor autoestima e autoconfiança. Ainda há aqueles que evoluem para a prática esportiva. Não faltam histórias de superação e sucesso na Equoterapia”, destaca Lilian.

As doações para o centro de Equoterapia podem ser realizadas por meio de depósito na conta bancária: Banco Itaú - Agência 0741 – Conta Corrente 05544-6 - CNPJ 62.478.938/0001-79.

Renda do XTC

Cavaleiros Doda Miranda (à esquerda) e Marcello Artiaga criaram evento de hipismo de salto que vai destinar parte da renda arrecadada para Equoterapia
Emerson Emerim (Photohorse)
Cavaleiros Doda Miranda (à esquerda) e Marcello Artiaga criaram evento de hipismo de salto que vai destinar parte da renda arrecadada para Equoterapia

O cavaleiro olímpico Alvaro Affonso de Mirando Neto, o Doda, é um dos grandes incentivadores da Equoterapia. Parte da renda do evento Extreme Team’s Challenge (XTC), idealizado e organizado por ele e pelo cavaleiro e treinador Marcello Artiaga, será revertida para projetos de Equoterapia dos centros hípicos onde serão realizadas as provas do campeonato, em 2019. 

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O XTC contará com 8 etapas e um Playoff, que serão realizados, de abril a dezembro de 2019, em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Campinas (SP). As provas vão ser realizadas na Sociedade Hípica Paulista e no Clube Hípico de Santo Amaro, em São Paulo; na Sociedade Hípica Paranaense (em Curitiba); na Sociedade Hípica Brasileira, no Rio de Janeiro; e no Haras Albar, em Campinas.

Apoio e trabalho

 No Volteio Interativo, o atendimento é feito em grupo de pessoas com deficiência. O enfoque é a equipe, comunicação, autoestima, liderança e autoconfiança
Lilian Chateau
No Volteio Interativo, o atendimento é feito em grupo de pessoas com deficiência. O enfoque é a equipe, comunicação, autoestima, liderança e autoconfiança

Além dos bolsistas da Equoterapia, a Sociedade Hípica Paulista dá total apoio a Claudio Aleoni Arruda, que tem Síndrome de Down, apaixonado por cavalos desde criança e professor assistente contratado da Escola de Pôneis da SHP.

Claudinho, como é conhecido no clube hípico, começou a cavalgar aos 5 anos na fazendo do avô, em Minas Gerais. Aos 15 anos passou a montar na Escola de Equitação da Sociedade Hípica Paulista. Desde então foram inúmeras conquistas, dentro e fora das pistas.

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Ele trabalha na escola de pôneis da  Hípica Paulista e coleciona títulos nas provas internas de Salto da SHP e Salto para Iniciantes na Federação Paulista de Hipismo e atualmente se dedica ao Adestramento. O maior sonho é participar de uma Olimpíada. Portadores de Síndrome de Down e outras pessoas com algum tipo de deficiência intelectual podem participar das Olimpíadas Especiais. A próxima será em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em 2019.