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Anistia Internacional diz que vereadora foi "assassinada por não ter medo de defender as pessoas" ao destacá-la na campanha anual Escreva por Direitos

Anistia Internacional pede que colaboradores escrevam cartas pedindo respostas sobre o caso Marielle Franco
Reprodução/Anistia Internacional
Anistia Internacional pede que colaboradores escrevam cartas pedindo respostas sobre o caso Marielle Franco

Nesta quarta-feira (10), a Anistia Internacional lança no Brasil a campanha Escreva por Direitos (Write for Rights). Neste ano, os focos são mulheres, gênero e defensoras dos direitos humanos. Entre um dos destaques está a vereadora e defensora dos direitos humanos Marielle Franco, assassinada em março no Rio de Janeiro. 

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Todos os anos, a Anistia Internacional seleciona casos de pessoas e comunidades vítimas de violações de direitos humanos ou em risco ao redor do mundo. Neste ano, são dez casos escolhidos pela Anistia Internacional. Nove são de mulheres ativistas, incluindo Marielle Franco , e o décimo é de uma comunidade no Quênia cujas mulheres estão sendo expulsas de suas terras ancestrais. 

Os apoiadores atuam na campanha mobilizando comunidades, famílias e amigos a escreverem e a assinarem cartas, manifestando solidariedade e pressionando as autoridades por justiça. Além de Quênia e Brasil, há casos na Ucrânia, no Marrocos, na Venezuela, na África do Sul, no Quirguistão, no Irã, na Índia e no Vietnã.

A iniciativa também conta com a ajuda de profissionais da educação e grupos de ativismo, que farão desde aulas temáticas em escolas até eventos públicos em praças ou cafés. Com exceção de Marielle, as mulheres e ativistas que integram a campanha continuam atuando em seus países, algumas em situação de risco.

Campanha Escreva por Direitos exige uma resposta sobre a morte de Marielle

Pais de Marielle Franco e diretora da Anistia Internacional Brasil pedindo respostas sobre morte da vereadora
Foto: Márcio Alves
Pais de Marielle Franco e diretora da Anistia Internacional Brasil pedindo respostas sobre morte da vereadora


Marielle era vereadora no Rio de Janeiro pelo PSOL, eleita em 2016, defensora dos direitos humanos e feminista. Sua atuação se destacava por denúncias de abusos de autoridade por parte de policiais contra moradores de comunidades carentes durante a Intervenção Federal na cidade. No dia 14 de março deste ano, ela e seu motorista, Anderson Gomes, foram mortos a tiros.  

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O Escreva por Direitos vai durar cinco meses e segue até o dia 8 de março de 2019, Dia Internacional da Mulher. “A campanha irá mobilizar pessoas no mundo todo em apoio a estas ativistas, dando visibilidade aos casos e celebrando o papel dessas mulheres que levantam suas vozes contra as injustiças e lideram processos de transformação em seus países”, informou a Anistia Internacional.

No site da campanha , é possível ver um perfil de cada uma das mulheres e enviar cartas às autoridades pedindo a segurança para a atuação delas na militância do país. A descrição de Marielle Franco diz que ela foi "assassinada por não ter medo de defender as pessoas" e que o ocorrido reflete um padrão no Brasil, onde pelo menos 70 defensoras e defensores de direitos humanos foram mortos em 2017. A campanha também pede uma resposta sobre a morte da vereadora. 

*Com informações da Agência Brasil


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