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Governo criou comitê e traçou etapas para recuperar prédio com recursos de patrocinadores e ajuda da Unesco na recomposição do acervo; reitor disse que o presidente Temer "ficou de dar um retorno" sobre impasse com terreno

Museu Nacional foi acometido por incêndio que durou seis horas entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda
Reprodução
Museu Nacional foi acometido por incêndio que durou seis horas entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda

O governo federal anunciou a criação de um comitê executivo com representantes do Ministério da Cultura (MinC), da Educação (MEC), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Museu Nacional para recuperar a instituição de 200 anos que foi  destruída por um incêndio na noite desse domingo (2). Outros órgãos do governo, como a Casa Civil e o Ministério do Planejamento também devem atuar nas ações de recuperação do museu.

De acordo com o ministro da Educação, Rossieli Soares, a pasta irá repassar, já nesta semana, R$ 10 milhões para a UFRJ – responsável pelo Museu Nacional – contratar ações emergenciais para evitar novos desabamentos e proteger a estrutura que resistiu às mais de seis horas de chamas que atingiram o prédio.

"O próprio comitê executivo vai trabalhar de forma acelerada para resolver iniciativas importantes, como a ampliação das áreas dos terrenos para que os projetos do museu sejam mantidos forma mais adequada. Emergencialmente, temos ações importantes de cercamento do local e reforço das estruturas para evitar desabamentos", disse Soares em entrevista coletiva no fim da tarde desta segunda-feira (3).

Esse repasse inicial de R$ 10 milhões, segundo explicaram Soares e o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, trata-se da primeira etapa de recuperação do museu. O processo contará ainda com a liberação de R$ 5 milhões para a elaboração de um projeto executivo, etapa que deve envolver a Unesco, que é o órgão da ONU para a educação, ciência e cultura.

O terceiro passo para a recuperação do museu envolve a busca de patrocinadores dispostos a aportar recursos na reconstrução do prédio por meio da Lei Rouanet. Segundo Sá Leitão, o próprio presidente Michel Temer (MDB) se comprometeu a atuar na busca por esses doadores.

A última etapa planejada pelo comitê executivo do governo é a reconstituição do acervo do museu. "Desde já, estamos trabalhando pedindo ajuda internacional num reforço para encontrar acervos que possam vir a compor o nosso museu durante todo esse processo de recuperação", disse Soares.

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Ministros repassam responsabilidade por incêndio no Museu Nacional

Segundo relato dos vigilantes, fogo no Museu Nacional do Rio de Janeiro teria começado de cima para baixo
Tânia Rêgo/ABr
Segundo relato dos vigilantes, fogo no Museu Nacional do Rio de Janeiro teria começado de cima para baixo

O ministro da Educação tentou afastar responsabilidade da atual gestão pela tragédia no museu. "Há 10 dias, estivemops reunidos com o reitor da universidade. E um dos temas foram discutidos foram os avanços necessários para o museu. Estamos trabalhando, apesar de todas as dificuldades, numa melhora nos recursos para as universidades federais. Estamos fazendo agora um trabalho específico para outros prédios históricos. Lógico que temos que apurar essas responsabilidades. Nos últimos 10, 20, 30 anos, não foram disponibilizados recursos para algumas reformas."

Em junho, quando o Museu Nacional completou 200 anos, o BNDES assinou com a UFRJ acordo para o repasse de R$ 21 milhões para reformas. Segundo o reitor da universidade, Roberto Leher, o projeto incluía a modernização completa do sistema de prevenção de incêndios, mas "infelizmente", os recursos não chegaram a tempo . Leher afirmou que a demora decorreu de "algumas controvérsias" e citou o período eleitoral como um dos fatores que atrasaram o aporte dos recursos.

Sobre essa demora, o ministro da Cultura disse não saber porque os recursos não chegaram a tempo e também compartilhou a responsabilidade com gestões anteriores. 

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"Pela primeira vez houve um patrocínio desta monta ao museu. Me parece grave que isso não tenha acontecido antes. Temos um deficit em relação ao patrimônio cultural muito grande. isso foi se acumulando ao longo do tempo. Já tivemos momentos de bonança no governo federal em que esse deficit não foi resolvido", afirmou.

O reitor da UFRJ também afirmou que o presidente Michel Temer "ficou de dar um retorno" sobre a União atender ao pleito da universidade e ceder o terreno do Museu Nacional para a instituição. "Esse é um tema crucial. Nós só vamos reconstituir o acervo com nossos pesquisadores aqui no espaço do museu. Vamos trabalhar de forma muito dedicada para que nossos pesquisadores permaneçam no museu para gerar um ambiente que vai favorecer a reconstrução", disse Leher.


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