Raul Jungmann diz que envolvimento de "setores ligados a órgãos de representação política" é um dos principais fatores que dificultam apuração

Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados a tiros na noite de 14 de março, no Rio de Janeiro
Fernando Frazão/Agência Brasil - 10.5.18
Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados a tiros na noite de 14 de março, no Rio de Janeiro

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, apontou o "envolvimento de agentes do Estado" e "órgãos de representação política" como um dos principais fatores que dificultam o esclarecimento das  mortes da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, ocorridas em 14 de março, no Rio de Janeiro.

A declaração foi feita em entrevista concedida na noite dessa terça-feira (7) à Globonews , onde Jungmann disse ver grande "complexidade" na investigação. "Esse assassinato da Marielle Franco envolve agentes do Estado. Envolve, inclusive, setores ligados seja a órgãos de setores do Estado seja a órgãos de representação política”, declarou o ministro, pontuando que evitaria trazer detalhes para "não criar problemas para a própria investigação".

Raul Jungmann também assentiu que a existência de 'ramificações' na polícia dificulta o andamento das apurações, mas disse acreditar que o caso será esclarecido até o fim deste ano. 

"A complexidade [do crime] deriva do profissionalismo que ele foi feito e o fato de que tem uma rede, digamos, de intersecção, que eu poderia chamar daqueles que têm interesse que aquilo acontecesse... É bastante ampla. Daí a grande dificuldade que se tem para esclarecer esse caso", declarou o ministro, que reafirmou o apoio das forças de segurança federais nas investigações.

Investigações sobre a morte de Marielle Franco

Quinta vereadora mais votada no Rio, Marielle Franco denunciava violência policial e morreu aos 38 anos de idade
Reprodução/Youtube
Quinta vereadora mais votada no Rio, Marielle Franco denunciava violência policial e morreu aos 38 anos de idade

Os trabalhos da Delegacia de Homícidios da Capital (DHC) sobre o caso são conduzidos em sigilo , mas a polícia fluminense confirmou no fim de julho a prisão de dois suspeitos de participação nos assassinatos da vereadora e de seu motorista. Um desses presos é suspeito de ser um dos ocupantes do carro que disparou contra o veículo onde estava Marielle e Anderson. Os dois suspeitos são ex-militares.

A polícia já sabe que a arma do crime foi uma submetralhadora e que a munição usada pelos criminosos era de um lote que havia sido destinado à Polícia Federal, mas que teria sido roubado na sede dos Correios na Paraíba, no ano passado (conforme versão do governo federal). Permanecem não respondidas as questões sobre o(s) autor(es) e o(s) mandante(s) dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.

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