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O preço mínimo do frete de cargas foi uma das reivindicações dos caminhoneiros e transportadores atendidas pelo governo para pôr fim à greve da categoria, que durou 11 dias e afetou economia do país

Associação de caminhoneiros não pretende convocar nova greve
Marcelo Pinto/APlateia 23.05.2018
Associação de caminhoneiros não pretende convocar nova greve

A liderança da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) entregou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sua proposta para uma nova tabela de preços do frete do transporte de cargas. A associação também afirmou que não pretende convocar novas paralizações da classe.

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"Não queremos trazer mais prejuízos para o País. Esperamos que a manifestação geral que já realizamos sirva como aprendizado para que o governo aprenda a dialogar conosco", disse o presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, ao afastar a possibilidade de nova greve .

De acordo com Lopes, a sugestão concentra as propostas de diversas entidades da categoria, entre elas a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).

“Cada um fez sua planilha de acordo com o tipo de caminhão e de carga. Um fez os cálculos para caminhão de dois eixos, outro fez o mesmo para caminhão de três eixos. Cada um veio com uma proposta diferente, tumultuando o meio de campo. A sugestão da Abcam procura contemplar todas as modalidades de transporte”, disse.

A Abcam reúne cinco federações de caminhoneiros e 59 sindicatos, representando quase 600 mil profissionais.

Lopes, contudo admite que há disputa entre caminhoneiros e representantes de outros segmentos sobre o tabelamento do frete, principalmente por parte do setor agrícola, mas disse ser contrário à novas paralisações. Para ele, a categoria “não aguenta mais” esperar pela definição do valor mínimo do frete.

“Temos famílias para sustentar, prestações para pagar, manutenção dos veículos. Os caminhoneiros estão vendendo o almoço para pagar a janta. Enquanto isso, há centenas de caminhões carregados, servindo para armazenar cargas, porque ninguém aceita este frete, nem um lado, nem de outro”, afirmou.

Ele classificou a proposta da Abcam como “transparente” e capaz de garantir melhores condições de sobrevivência aos caminhoneiros e contemplar as áreas agrícola, industrial e comercial.

“Pode não dar em nada, mas estou fazendo minha parte. Estou demonstrando que não é fazendo pressão, ameaçando, que vamos encontrar uma solução. Porque se antes o mercado era de livre negociação, agora estamos avançando para termos um frete mínimo”, disse.

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A Abcam também solicitou uma reunião com o ministro Luiz Fux, relator das ações apresentadas na semana passada pela Associação do Transporte Rodoviário de Cargas do Brasil (ATR Brasil) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), que sustentam que o tabelamento do frete fere a livre concorrência.

Disputa sobre o frete

O preço mínimo do frete foi uma das reivindicações de caminhoneiros atendidas pelo governo para pôr fim à paralisação da categoria.

O governo editou duas tabelas de frete. A primeira e vigorou até 7 de junho, quando foi editada a segunda versão da tabela. Esta, no entanto, permaneceu válida por apenas algumas horas, já que, na prática, acabou sendo suspensa pela ANTT no mesmo dia.

As duas primeiras tabelas que colocaram fim a  geve são alvos da disputa entre caminhoneiros e representantes do setor produtivo. Donos de transportadoras e caminhoneiros autônomos se queixam de que os valores pagos mal cobrem os custos das viagens. Empresários de outros segmentos, por sua vez, alegam que o estabelecimento de um valor mínimo para o frete aumenta os custos de transporte de cargas.

* Com informações da Agência Brasil

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