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Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, emocionou todos os presentes ao lembrar que o Brasil ainda é um dos países que mais mata pessoas LGBT

Greve dos caminhoneiros prejudicou um pouco a Parada do Orgulho LGBT, mas as ruas ainda assim estavam cheias
Paulo Pinto/FotosPublicas 03.06.2018
Greve dos caminhoneiros prejudicou um pouco a Parada do Orgulho LGBT, mas as ruas ainda assim estavam cheias

A 22ª edição da Parada do Orgulho LGBT levou para as ruas de São Paulo neste domingo (3) a conscientização política como tema. Apesar do frio e dos chuviscos que caíram ao longo do dia, o público tomou conta da Avenida Paulista a partir das 10h e desfilou até a Rua da Consolação. 

Leia também: Eleições, BDSM e representatividade: saiba mais sobre a Parada LGBT 2018

De acordo com a organização oficial do evento, cerca de três milhões de pessoas estiveram presentes. Um dos momentos mais marcantes foi quando a arquiteta Mônica Benício, viúva da vereadora Marielle Franco, subiu para discursas em um dos 18 trios da Parada do Orgulho LGBT .

"Isso aqui é um ato de resistência. O Brasil é um dos países que mais mata a sua população LGBT. E a gente não pode assumir isso, deixar que isso continue desta maneira”, afirmou, emocionando a todos que estavam presentes.

O que as pessoas LGBT querem

Manifestantes pediram por maior representatividade nos espaços, lembrando que a comunidade LGBT vai além dos gays
Paulo Pinto/FotosPublicas 03.06.2018
Manifestantes pediram por maior representatividade nos espaços, lembrando que a comunidade LGBT vai além dos gays

Apesar de ser vista como uma grande festa e um forte atrativo turístico para a cidade, a parada é também um ato político. Pensando no tema político, a auxiliar administrativo Flávia Santana, de 38 anos, destaca a importância de propostas para a saúde LGBT.

“Queremos políticas de saúde. Os profissionais dessa área não estão preparados para lidar com essa população. Somos vítimas não só de violência física, mas, sobretudo, psicológica. Os consultórios psiquiátricos estão despreparados para nos receber.”

O administrador Marco Antônio Silva Júnior, de 25 anos, assim como Flávia, quer uma atenção especial a quem ainda sofre com tanto preconceito. “Queremos que as propostas [dos candidatos] sejam feitas em conjunto com a comunidade e que contemplem as sexualidades monodissedentes e as multisexualidades, e não somente gays e lésbicas. Precisamos de políticas que vão além, que se escute a população não binária, a população transsexual e bissexual.”

Imprevistos diminuíram a participação do público em números

Como consequência da greve dos caminhoneiros, a ocupação dos hotéis de turistas que viajam para participar da parada reduziu de 90% no ano passado para 50% este ano, segundo dados da prefeitura paulistana.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo estimou uma perda de R$ 104 milhões no faturamento com o turismo neste feriado. O número oficial de participantes no evento não foi divulgado. 

“Apesar da expectativa de queda de público por conta da crise de abastecimento, mantivemos a estrutura necessária para o evento do tamanho da do ano passado”, afirmou o prefeito Bruno Covas, que foi vaiado no início da Parada do Orgulho LGBT .

*Com informações da Agência Brasil

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