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Paralisação da categoria tem provocado desabastecimento de combustíveis e de alimentos em diversos estados; problema já afeta operação dos ônibus

Caminhoneiros protestam contra elevação no preço do diesel na rodovia BR-040, em Duque de Caxias
Fernando Frazão/Agência Brasil
Caminhoneiros protestam contra elevação no preço do diesel na rodovia BR-040, em Duque de Caxias

A categoria tem uma nova reunião marcada com o governo hoje mas, enquanto não há um acordo, esta quinta-feira (24) amanhece como o quarto dia seguido da greve dos caminhoneiros em todo o Brasil. O protesto é contra o preço elevado dos combustíveis

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A greve dos caminhoneiros já atinge 25 estados e o Distrito Federal. Além das manifestações, que causam bloqueio nas estradas, uma série de consequências de falta de abastecimento de alimentos e combustíveis já foram registradas em todo o País. 

No Rio de Janeiro, a categoria faz protestos em pelo menos 14 pontos de cinco rodovias federais que cortam o estado. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a maioria das manifestações ocorre nos acostamentos, onde os caminhoneiros estão com veículos parados em fila.

Greve dos caminhoneiros contra o aumento do preço do diesel ocorre em todo o País e já está no quarto dia nesta quinta
Agência Brasil
Greve dos caminhoneiros contra o aumento do preço do diesel ocorre em todo o País e já está no quarto dia nesta quinta

Ainda no Rio, os produtos comercializados nas Centrais de Abastecimento (Ceasa) – o principal centro de distribuição de hortifrutigranjeiros no estado – já registram grande alta de preços.

Em São Paulo, a Associação Paulista de Supermercados (Apas) informa que as paralisações já causam desabastecimento nos supermercados, em especial nos itens de frutas, legumes e verduras, que são perecíveis e de abastecimento diário.

A PRF informou que multará qualquer veículo que, deliberadamente, restringir o tráfego. A multa chega a R$ 5.689,40.

Em um vídeo enviado por WhatsApp à redação do iG , é possível ver um protesto na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Guarulhos. Além das buzinas, são ouvidos gritos contra o governo federal e são visualizados cartazes. 

Já falta combustível

A paralisação dos caminhoneiros tem provocado desabastecimento de combustíveis em diversos estados. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Município do Rio de Janeiro (Sindcomb), ao menos metade dos postos da capital estará hoje sem algum dos três combustíveis: gasolina, diesel ou etanol. 

Em Brasília, há registros de postos fechados, com estoque de combustível zerado. Em São Paulo, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do estado, José Alberto Paiva Gouveia, informou que, desde o início dessa quarta-feira (23), os postos de abastecimento do estado não receberam combustível, e há estoque para operar só por até três dias.

Preços abusivos

Enquanto alguns postos estão fechados por falta de produto, outros estão superfaturando com a greve. Filas de carros são flagradas em postos de todo o Brasil, enquanto os motoristas tentam encher o tanque, onde ainda é possível. Porém, em alguns desses postos, foram flagradas alterações de preços dos combustíveis.  

Quem flagrar postos de combustível adotando novos preços em função da greve dos caminhoneiros pode denunciar
Marcello Casal JR/ABr
Quem flagrar postos de combustível adotando novos preços em função da greve dos caminhoneiros pode denunciar

O Procon-SP informou hoje que o consumidor que flagrar postos de combustível adotando novos preços em função da greve dos caminhoneiros poderá denunciar à entidade.

De acordo com o órgão, a denúncia deve ser feita exclusivamente pela internet no site do Procon e é fundamental anexar na denúncia imagem do cupom fiscal ou, na falta dele, o máximo de informações sobre o estabelecimento (nome/bandeira), endereço, data de compra e preços praticados, se possível com fotos.

Consequências no transporte público

O problema afeta também a operação dos ônibus. Um levantamento da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), por exemplo, calculou que 40% da frota de ônibus não circularam na manhã de ontem por indisponibilidade de combustível. A previsão é que hoje até 70% dos ônibus fiquem na garagem.

Leia também: Cerca de 40% da frota de ônibus de SP não circula nesta quinta-feira

Já o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) afirmou que, na capital, quase 30% da frota não circularam ontem. A BRT Rio, que usa os corredores exclusivos de ônibus, informou que hoje haverá redução da frota, por causa do problema de abastecimento de combustível. Com isso, os intervalos vão ter grandes alterações. Algumas estações estão fechadas.

Quem decidir ir de carro particular para seus compromissos devido à greve dos caminhoneiros , hoje terá de enfrentar diversos pontos de trânsito, sob o risco de gastar um combustível sem data para ser reposto. Em São Paulo, na Marginal Pinheiros, caminhoneiros promoveram um buzinaço a fim de protestar contra o alto preço dos combustíveis. 

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* Com informações da Agência Brasil.

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