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Equipes acreditam que arcada dentária localizada hoje pertença a Ricardo Pinheiro, cujo corpo já foi retirado dos escombros; buscas por cinco pessoas que seguem desaparecidas devem durar mais 13 dias, segundo porta-voz

Bombeiros retiram entulho nas buscas por vítimas do desabamento de um prédio no centro de São Paulo
Rovena Rosa/Agência Brasil - 1.5.18
Bombeiros retiram entulho nas buscas por vítimas do desabamento de um prédio no centro de São Paulo

O Corpo de Bombeiros ainda deve levar mais 13 dias retirando escombros até chegar ao último pavimento do edifício Wilton Paes, que desabou na madrugada do dia 1º na região central de São Paulo. A informação é do tenente Guilherme Derrite, porta-voz da corporação que atua já há seis dias nas buscas por vítimas da tragédia. Ainda há cinco pessoas desaparecidas no local: Selma Almeida da Silva e seus dois filhos gêmeos, Welder e Wender, de 9 anos; Eva Barbosa Lima, de 42 anos; e Walmir Sousa Santos de 47 anos.

O trabalho de buscas neste domingo (6) conta com 13 viaturas e 37 bombeiros , que encontraram nesta tarde a arcada dentária e fragmentos do rosto de uma das vítimas da tragédia do Largo do Paissandu. Acredita-se que esses restos mortais pertencem a Ricardo Pinheiro, pois a arcada dentária estava muito próxima ao local onde foi encontrado o corpo do homem de 39 anos na última sexta-feira (27)

"O material foi encaminhado para análise no Instituto Médico-Legal (IML), que vai realizar um confronto para saber se esse material pertence ao Ricardo. Estamos ampliando a área de atuação no local onde foi encontrado o corpo do Ricardo", explicou o tenente Derrite.

As equipes de buscas contam com duas retroescavadeiras e uma escavadeira com uma espécie de gancho na ponta, chamada de mordedor hidráulico, que auxilia na movimentação do concreto para retirada de ferros retorcidos. Oito caminhões retiram os escombros do local.

São duas frentes de atuação do Corpo de Bombeiros: uma equipe de busca e resgate em estruturas colapsadas e outra fazendo rescaldo e resfriamento da estrutura. O tenente Derrite destacou que a todo momento o trabalho das máquinas é acompanhado pela equipe de resgate e, caso seja identificado alguma evidência dos desaparecidos, é iniciada a busca manual.

O bombeiro exemplificou que, quando os cães farejadores da corporação indicaram o provável local do corpo de Ricardo Pinheiro, foram necessárias 22 horas até que ele fosse encontrado. “Tivemos que retirar oito metros de entulho até chegar ao corpo do Ricardo”, disse o tenente.

Ricardo morreu quando já estava sendo resgatado pelos bombeiros. A identificação do corpo foi possível após realização de exame com as impressões digitais, segundo a Secretaria Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.

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Auxílio-moradia

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, os assistentes sociais cadastraram um total de 169 famílias após a tragédia do edifício Wilton Paes, mas apenas 56 famílias comprovaram que viviam na ocupação da antiga sede da Polícia Federal e receberão auxílio-moradia durante um ano, cujo valor será de R$ 1.200 no primeiro mês e de R$ 400 a partir do segundo.

Muitas das pessoas que ficaram desabrigadas após o incêndio e o desabamento do prédio passaram a noite na rua na região central da capital paulista . Em nota, a prefeitura afirmou que "a maioria das famílias originárias da ocupação foram acolhidas nos equipamentos oferecidos" pela administração municipal. 

Estratégia deve ser mantida

O tenente Guilherme Derrite destacou que, por enquanto, a operação deve continuar no mesmo formato. “A linha mestra é o resfriamento, ele tem que ocorrer. Uma mudança estratégica grande é muito difícil. O que pode ocorrer é uma ou outra alteração tática”, explicou. Entre as alterações táticas está, por exemplo, a movimentação das linhas de mangueira.

Por entre o morro de concreto, é possível visualizar parte de roupas dos sobreviventes da tragédia. O trabalho das máquinas não para e uma fumaça branca ainda sai dos escombros. “É parte do trabalho de resfriamento que está sendo feito”, explicou o porta-voz dos bombeiros.

*Com reportagem da Agência Brasil

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