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Presidente convocou reunião para discutir resposta ao assassinato da vereadora; ministro diz que episódio não muda intervenção federal no Rio

Quinta vereadora mais votada no Rio, Marielle Franco denunciava violência policial e morreu aos 38 anos de idade
Reprodução/Youtube
Quinta vereadora mais votada no Rio, Marielle Franco denunciava violência policial e morreu aos 38 anos de idade

O presidente Michel Temer convocou reunião de emergência com integrantes da cúpula do governo nessa quinta-feira (15) para tratar da resposta do Estado aos assassinatos da vereadora fluminense Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista , Anderson Gomes, ocorridos na noite dessa quarta-feira (14) na região central do Rio de Janeiro.

O presidente  classificou a morte da vereadora como um episódio "inaceitável" e "inadmissível" e designou o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, para acompanhar as investigações sobre o assassinato de Marielle Franco pessoalmente junto às autoridades do Rio.

"O assassinato da vereadora e de seu motorista é inaceitável, inadmissível, como todos os demais que ocorreram no Rio de Janeiro. É um verdadeiro atentado à democracia. Marielle, ao que eu sei, fazia trabalhos com vistas a preservar a paz e a tranquilidade na cidade do Rio de Janeiro. Por isso decretamos a intervenção, para acabar com esse banditismo desenfreado que se instalou naquela cidade por força das organizações criminosas. Estas quadrilhas organizadas não matarão o nosso futuro. Nós estamos no Rio de Janeiro para restabelecer a paz", declarou o presidente.

Mais cedo, Jungmann já havia colocado a Polícia Federal à disposição para auxiliar nos trabalhos de investigações e disse, durante evento em São Paulo, que a morte da vereadora "não afeta a intervenção federal no Rio". O responsável pelas ações das Forças Armadas na segurança pública do estado, general Walter Braga Netto, limitou-se a dizer que "se solidariza" com as famílias e amigos das vítimas e que "acompanha o caso em contato permanente com o Secretário de Estado de Segurança", o general Richard Nunes.

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"Execução"

O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Rivaldo Barbosa, ponderou que as investigações sobre a morte de Marielle ficarão sob sigilo, mas admitiu que "uma das possibilidades é, sim, a de execução". "Mas a gente ainda não descarta outras hipóteses", ponderou o delegado em entrevista à  TV Globo .

Barbosa assegurou que a Polícia Civil vai adotar todas as medidas possíveis "para que seja dada uma resposta necessária e suficiente para esse caso gravíssimo".

"A Polícia Civil tem capacidade para resolver esse crime bárbaro. Ele não ficará impune. A investigação está sob sigilo e não descartamos nenhuma possibilidade. A testemunha vai seguir um protocolo pré estabelecido pela Divisão de Homicídios. Garantiremos à ela toda a segurança necessária", disse o delegado.

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A irmã de Marielle e a testemunha do crime

A testemunha à qual o delegado se referiu é a assessora de imprensa da vereadora do PSOL. Ela estava sentada ao lado de Marielle no momento em que o carro no qual elas haviam deixado um evento na região central do Rio foi alvo de nove disparos na noite dessa quarta-feira. Três tiros acertaram Marielle e quatro atingiram o motorista Anderson Gomes.

A assessora, que não teve o nome divulgado por questões de segurança, teve apenas ferimentos decorrentes dos estilhaços do vidro do carro. Ela prestou depoimento durante cerca de cinco horas ainda na madrugada dessa quinta-feira à Polícia Civil.

Pela manhã, a irmã de Marielle, Anielle Silva, esteve no Instituto Médico-Legal (IML) para reconhecer o corpo da vereadora.  “Infelizmente, ela foi brutalmente assassinada", lamentou Anielle. "A gente mais uma vez sendo vítima da violência desse estado, sendo dessa ausência de segurança que a gente tem. Tentaram calar não só 46 mil votos [obtidos por Marielle na última eleição], mas também várias mulheres negras”, disse a irmã da pessolista.

Reconhecida por sua atuação em defesa dos direitos humanos, Marielle Franco se destacou ao denunciar abusos e crimes cometidos por policiais. Ela foi a quinta vereadora com maior número de votos na última eleição e estava em seu primeiro mandato. Morta aos 38 anos de idade, a parlamentar nascida no Complexo da Maré atuava nas causas das mulheres, negros e Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros. Seu corpo e o de seu motorista serão velados nesta tarde na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

*Com reportagem da Agência Brasil