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Passados 48 dias do desaparecimento, não há pistas do paradeiro dos sem terra, e os dois principais suspeitos encontram-se foragidos

De acordo com a Constituição, a fazenda que não cumpre a função social deve ser declarada de interesse social
Reprodução/ MST
De acordo com a Constituição, a fazenda que não cumpre a função social deve ser declarada de interesse social

A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos e a Ouvidoria Agrária Nacional cobram agilidade do governo do Amazonas para que o desaparecimento de três lideranças de produtores rurais sem terra em Canutama, no sul do estado, seja solucionado. Passados 48 dias do desaparecimento, não há pistas do paradeiro dos sem terra , e os dois principais suspeitos encontram-se foragidos.

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A Polícia Civil do Amazonas trabalha com a possibilidade de que os desaparecimentos formam parte de um crime agrário . Flávio Lima de Souza, 42 anos, e Marinalva Silva de Souza, 37, eram presidente e vice-presidente da Associação dos Produtores Rurais da Comunidade da Região do Igarapé Araras e vinham denunciando ameaças de grandes produtores rurais locais. Jairo Feitoza Pereira, de 52 anos, outro desaparecido, também atuava no movimento sem terra.

 “Vamos cobrar agilidade nas apurações e que nos mantenham informados quanto às providências que estão sendo adotadas”, disse a ouvidora nacional de Direitos Humanos , Herta de Souza Rolim, admitindo a “complexidade” do caso.

A Ouvidoria Agrária Nacional também solicitou à Secretaria Estadual de Segurança Pública do Amazonas informações sobre os desaparecidos e mandantes do crime.

Há quase dois meses à espera de informações, parentes dos desaparecidos não veem chance de encontrá-los vivos, mas pedem que a Polícia Federal assuma o caso para apurar as responsabilidades e punir os culpados.

“Estamos buscando todo tipo de ajuda possível. Estamos muito preocupados com o andamento das coisas, que as investigações não resultem em nada. Por isso queremos que a Polícia Federal assuma o caso”, declarou à  Agência Brasil  a irmã de Flávio Lima de Souza, um dos desaparecidos, Lucicleia Lima de Souza.

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“As investigações não estão andando. Os suspeitos estão foragidos; policiais levaram quase 13 dias para realizar buscas na área da fazenda onde meu irmão pode ter sido mantido refém; a delegacia responsável pelo caso não tem a estrutura necessária... Por tudo isso pedimos às ouvidorias Agrária e de Direitos Humanos que atuem junto ao MPF e à PF para transferir a responsabilidade pela investigação”, acrescentou Lucicleia.

Flávio, Marinalva e Jairo foram vistos pela última vez no dia 14 de dezembro, quando saíam para vistoriar parte da área conhecida como Igarapé das Araras, a cerca de 620 quilômetros de Manaus e pouco mais de 50 quilômetros de Porto Velho, em Roraima. O local faz parte da propriedade ocupada por cerca de 200 sem-terra desde 2015 e que é objeto de disputa fundiária com um grupo privado.

No dia 28 de dezembro, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) decretou a prisão preventiva de dois suspeitos de envolvimento com o desaparecimento, o fazendeiro Antonio Mijoler Garcia Filho, 61 anos, e o caseiro Rinaldo da Silva Mota, 38 anos. Procurados por suspeita de homicídio qualificado, os dois ainda não foram localizados e são considerados foragidos.

* Com informações da Agência Brasil

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