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Governo estadual reconhece dificuldade em pagar salários devido à negativa do governo federal em repassar R$ 600 milhões; onda de violência continua

Centros comerciais de Natal (RN) foram palco de arrastões após greve da PM; Força Nacional foi acionada
Reprodução/Twitter - @RnBoletim
Centros comerciais de Natal (RN) foram palco de arrastões após greve da PM; Força Nacional foi acionada

Policiais militares e civis do Rio Grande do Norte mantiveram a paralisação iniciada há uma semana , a despeito da decisão de desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RN) que considerou o movimento ilegal e determinou o retorno imediato dos servidores de segurança ao trabalho .

A greve de policiais e bombeiros militares, policiais civis e agentes penitenciários teve início na última terça-feira (19) no Rio Grande do Norte e apenas essa última categoria aceitou retomar a rotina de trabalho até o momento. Os demais agentes de segurança estão atuando com efetivo reduzido, em escala de plantão, em protesto contra o atraso no pagamento dos salários.

Na manhã desta terça-feira, o Sindicato dos Policiais Civis do Rio Grande do Norte (Sinpol-RN) decidiu em assembleia manter a paralisação. Os agentes de segurança garantem que o movimento, batizado de "Segurança com Segurança", não é uma greve. Além do pagamento dos salários, as classes mobilizadas também cobram "condições mínimas de trabalho", o que inclui a manutenção de viaturas.

"Infelizmente, além de não pagar os servidores públicos, o governo do estado entra na Justiça para impedir nosso direito de reivindicar nossos salários. E a Justiça aceita o pedido, praticamente obrigando que os policiais trabalhem normalmente sem receber, como se nada estivesse acontecendo. Isso é quase trabalho escravo", declarou o presidente do sindicato, Nilton Arruda.

Sem policiamento, violência continua

Os últimos sete dias foram marcados pela violência no estado, situação que voltou a se repetir na madrugada desta terça-feira (26). Na segunda maior cidade do estado, Mossoró, ao menos duas lojas tiveram a entrada violada e foram saqueadas – sem que ninguém fosse preso.

O governador do estado, Robinson Faria (PSB), chegou a divulgar um cronograma de pagamento dos salários atrasados, mas até o momento acertou apenas os vencimentos referentes ao mês novembro para os servidores que ganham até R$ 3 mil por mês.

O estado deve ainda o salário de dezembro e o 13º (além do salário de novembro para quem recebe acima de R$ 3 mil mensais), mas o governo já não sabe se conseguirá cumprir com a agenda de pagamento anunciada por Faria. O governo potiguar contava com o recebimento de R$ 600 milhões do governo federal, mas o repasse foi vetado pelo Ministério da Fazenda, que teme desencadear uma onda de pleitos de socorro financeiro de outros estados em dificuldade econômica.

Para tentar reduzir a crescente onda de violência no Rio Grande do Norte, Robinson Faria conseguiu junto ao Ministério da Defesa o envio de mais 70 soldados da Força Nacional para fazer o policiamento na região metropolitana de Natal . O reforço desembarcou no solo potiguar na última quinta-feira (21) e se juntou a outros 120 homens e mulheres de tropas federais que já estavam no estado.

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