O acusado de atirar e matar a turista espanhola na favela da Rocinha teve liberdade provisória concedida nesta terça-feira (24). O juiz Juarez Costa de Andrade, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro,  foi quem deu a decisão favorável ao tenente da Polícia Militar, Davi dos Santos Ribeiro. Mas ele continua preso, pois também responde pelo caso na Justiça Militar, em um processo paralelo, no qual continua com a prisão em flagrante em vigor. 

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Reprodução/ TV Globo
Turista espanhola foi morta com tiro na nuca na manhã desta segunda-feira (23), no Rio de Janeiro

turista  Maria Esperanza Ruiz Jimenez foi atingida dentro do carro em que estava durante um passeio turístico pela Rocinha.  Ribeiro chegou a ser preso em flagrante pela Divisão de Homicídios. Na decisão, o juiz afirma que “o custodiado estava trabalhando, possui imaculada ficha funcional, não havendo indícios de que solto possa reiterar o comportamento criminoso ocorrido à luz do dia”.

Ribeiro não foi afastado da corporação, mas ainda de acordo com a decisão, ele deve exercer apenas atividades administrativas e não manter contato com nenhuma testemunha do caso, inclusive outros policiais presentes.

O titular da Divisão de Homicídios, delegado Fábio Cardoso, disse foi feita uma perícia no local do tiro, o Largo do Boiadeiro, e também no veículo, que foi usado para levar a vítima ao Hospital Miguel Couto. “Foi um tiro de fuzil dado contra o veículo, acertou o pescoço da vítima na parte de trás, passou tangenciando o pescoço”, explica. O tiro teria acertado ainda o banco do motorista do carro. “Por muito pouco, o motorista também não foi morto com um tiro na cabeça”, disse o delegado. Ele considera “criminosa”  a ação dos agentes.

De acordo com os policiais presentes no momento do disparo, eles teriam feito uma abordagem do carro, que não teria parado. Então, teriam realizado os disparos, dois para o alto, feitos por outro policial, e dois contra o carro, estes feitos por Ribeiro. A Polícia Militar já havia informado que segue o Manual de Abordagem, segundo o qual, em casos como este, policiais não devem fazer disparos e sim, perseguir o veículo que não obedeceu à ordem de parar e bloquear sua passagem assim que for possível.

O governador Luiz Fernando Pezão lamentou a morte de Maria Esperanza e destacou que os policiais fluminenses “devem seguir os procedimentos estabelecidos no manual de abordagem”. Fazendo referência à repercussão negativa do caso, Pezão completou: “O Rio não é a cidade mais violenta do país, mas, infelizmente, tem um apelo maior porque é a que mais recebe turistas”.

Pezão também reafirmou que a Polícia Militar vai continuar na Rocinha por tempo indeterminado e que a integração com as forças federais de segurança vem apresentando resultados.

O momento do disparo

De acordo com o delegado a frente do caso,  os ocupantes do carro disseram não ter visto a blitz e nem receber nenhuma ordem de parada no momento do tiro.

Em depoimento à polícia, o motorista do carro, um italiano que mora no Brasil, contou que havia deixado Maria Esperanza com o grupo e a guia, na Estrada da Gávea, de onde partiram para um passeio a pé pela favela. Ele os buscaria na Auto-estrada Lagoa-Barra, mas a guia solicitou que o motorista buscasse o grupo dentro da Rocinha por causa da chuva.

De acordo com nota divulgada pela agência de turismo que realizava o passeio, Grupo Rio Carioca Tour, o motorista foi parado e teve o carro revistado ao entrar na favela, ainda com o carro sem passageiros.  Ao chegar no Largo, buscou o grupo e seguiu em direção à saída da Rocinha. Foi neste trajeto que ele ouviu três disparos e, achando que se tratava de um tiroteio, acelerou para sair do local.

Na chegada à Auto-estrada, foi parado por um outro grupo de PMs, que mandou os passageiros descerem do carro. Neste momento, perceberam que María Esperanza havia sido baleada.

O corpo da turista já foi necropsiado e a Delegacia Especial de Apoio ao Turista (Deat), junto com o consulado espanhol, estão providenciando o traslado para a Espanha. Ela tinha 67 anos e veio ao Brasil com o irmão e a cunhada. María Esperanza era da cidade de Porto de Santa Maria, na região costeira da Andaluzia, e trabalhava como comerciante imobiliária no centro histórico da pequena cidade.

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*com informações da Agência Brasil e El País

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