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MP investiga esquema de cocaína apreendida que era desviada de dentro do cofre do Departamento Estadual de Prevenção e Combate ao Narcotráfico

O Ministério Público do Estado de São Paulo investiga um esquema de desvio e venda de drogas apreeendidas pelo Departamento Estadual de Prevenção e Combate ao Narcotráfico (Denarc), da Polícia Civil . A cocaína era retirada de dentro do próprio cofre do departamento, localizado no Bom Retiro. Ao todo, o esquema pode ter desviado mais de 1,5 tonelada de entorpecentes. 

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Ação de policiais do Denarc foram vazadas por policiais civis corruptos no meio do ano passado
Reprodução/Prefeitura de São Paulo
Ação de policiais do Denarc foram vazadas por policiais civis corruptos no meio do ano passado

De acordo com as investigações, o responsável pelo esquema de troca de droga pura por material adulterado seria o investigador Bruno Luiz Soares Figueiredo, preso e flagrado passando informações de operações do Denarc para traficantes da região da cracolândia.

Segundo interceptações telefônicas, Figueiredo usava produtos de limpeza de piscina para substituir a cocaína apreendida e encomendava lacres falsos para substituir os verdadeiros, que deviam ser mantidos até a destruição do material. Um outro policial, que não teve a identidade revelada, atuava para auxiliar no suposto esquema e facilitar a troca da droga .

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O MP também investiga o vazamento de informações sobre operações na cracolândia. Em 5 de agosto de 2016, uma operação do Denarc resultou na prisão de 32 pessoas. Para o Ministério Público, a ação poderia ter sido melhor desempenhada não fosse as informações passadas pelo Policial Civil.

Tortura e proprina

A investigação também apura o envolvimento de outros policiais civis no esquema. Segundo um delator, a equipe Falcão 64C planejava suas as ações em um hotel em Guarulhos, na Grande SP. No local, os policiais tinham um carro antigo para guardar armas e drogas.

O delator também afirma que os agentes torturavam os traficantes que não pagavam propina. Ele ainda acusa os policiais de adulterar o material apreendido para ficar com a maior parte e revendê-las. Este procedimento era chamando de “multiplicação da cocaína apreendida”. Em 2011, em Campinas, o grupo apreendeu 94kg de cocaína pura. Os policiais ficaram com 52kg para venda. Os outros 42kg foram misturados com bicarbonato de sódio e pó de gesso, com o objetivo de completar 200 kg.

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Após a investigação ser divulgada, o  Denarc afirmou que não compactua com irregularidades de qualquer natureza. Disse ainda que analisou as imagens de dois casos suspeitos apontados pela promotoria e não encontrou evidência de substituição de entorpecentes. Dos 21 policiais acusados de praticar crimes, 16 estão presos e demitidos da polícia. “Desvio de conduta é uma coisa que nós não podemos negar: existe. Qualquer policial que nós tivermos prova que praticou ilícito ele será preso e demitido”, afirmou Mágino Alves Barbosa Filho. As informações são do Fantástico, da TV Globo.

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