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Balanço foi divulgado pela secretaria de Segurança Pública e é referente ao período após operação das autoridades na área, realizada no dia 21 de maio

Após operação na Cracolândia, usuários de droga se dispersaram pela região central da capital paulista
Rovena Rosa/Agência Brasil - 26.5.2017
Após operação na Cracolândia, usuários de droga se dispersaram pela região central da capital paulista

O secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, Mágino Barbosa, afirmou que 144 pessoas já foram presas na área conhecida como Cracolândia, na região central da capital paulista, desde a operação policial realizada no dia 21 de maio. O titular da pasta informa que os números incluem a apreensão de 13 adolescentes.

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Na opinião do secretário, o deslocamento de usuários de drogas pelo entorno da Cracolândia é um indicativo dos resultados do aumento na ação policial. “Se qualquer organização criminosa está vendo a necessidade de mudar de um lugar para o outro, o que eu estou vendo é eficiência da polícia.”

Os dependentes químicos que estavam concentrados na Praça Princesa Isabel foram, na noite da última quarta-feira (21), para a esquina da Rua Helvetia, próximo à Estação Júlio Prestes. A nova mudança da principal aglomeração ocorre exatamente um mês após a operação policial que destruiu as barracas improvisadas do chamado fluxo e prendeu pessoas acusadas de tráfico. O local atual é quase o mesmo do ponto à época da ação.

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Os próprios usuários de drogas confirmam a migração e dizem que o processo foi acompanhado à distância pela polícia . “Ficaram fazendo a nossa segurança”, ironizou Antônio, um dos consumidores de crack. O novo ponto é considerado melhor, por grande parte dos usuários, que reclamavam da lama na Praça Princesa Isabel e da distância dos serviços de atendimento que oferecem água e banheiros.

Direito de ir e vir

Para o secretário, não havia necessidade de interferência da polícia na movimentação. “A migração de usuários de um lugar para outro é uma coisa que você não consegue impedir. Você estaria cerceando o direito de ir e vir. É uma situação delicada e cabe a nós, poder público, monitorar essa situação”, disse.

Em maio, logo após a operação policial, houve uma dispersão da população de usuários de crack pela cidade. A GCM (Guarda Civil Metropolitana) contabilizou, uma semana depois, 22 pontos de concentração na região central. Entretanto, ao longo dos dias, a Praça Princesa Isabel se consolidou como maior aglomeração. Há menos de duas semanas, no dia 11 de junho, foi feita outra operação, dessa vez na própria praça, que destruiu as barracas improvisadas e prendeu dois homens acusados de tráfico de drogas.

Na ocasião, a prefeitura estava instalando um novo conjunto de contêineres para atendimento dos usuários próximo à praça. O equipamento, que oferece chuveiro e acomodações para pernoite, enfrentava resistência dos moradores e comerciantes. Foi firmado acordo para que os alojamentos viessem acompanhados de um aumento do patrulhamento da GCM e fosse provisório, por 120 dias. “Eles queriam implantar na raça. Fizemos um acordo por questão de segurança dos moradores”, afirmou o presidente da Associação dos Moradores e Comerciantes dos Campos Elíseos, Iézio Silva.

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Um equipamento semelhante foi colocado próximo à Estação da Luz, na Rua dos Gusmões, também na região da Cracolândia. O plano da administração municipal é oferecer um total de 280 vagas emergenciais na região da Luz, além de disponibilizar 60 leitos de pré-internação em um ambulatório na Praça Princesa Isabel. Em um mês, os serviços municipais contabilizaram 427 internações voluntárias.


* Com informações da Agência Brasil

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