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Nove pessoas são acusadas pela Procuradoria de terem cometido crimes de lavagem de dinheiro; grupo cobrava propina de 5% dos valores contratuais

Segundo denúncia apresentada à Justiça Federal, houve cartel na construção de trecho da Linha 5 do Metrô
Reprodução/Google Maps
Segundo denúncia apresentada à Justiça Federal, houve cartel na construção de trecho da Linha 5 do Metrô

A Justiça Federal instaurou ação penal contra nove pessoas envolvidas em atos de corrupção nas obras da linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo. As irregularidades teriam ocorrido no período entre 1999 e 2000. A decisão pela abertura do procedimento atende a um pedido do MPF (Ministério Público Federal).

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Em fevereiro deste ano, o MPF denunciou o grupo à Justiça Federal por lavagem de dinheiro. Entre os réus estão dois ex-diretores da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e executivos de seis multinacionais. O esquema se baseou na formação de um cartel para a construção do trecho entre as estações de Metrô Capão Redondo e Largo Treze, mediante o pagamento de propina equivalente a 5% dos R$ 527 milhões orçados para o empreendimento.

De acordo com a denúncia, o cartel reunia as companhias Siemens, Alstom, Mitsui, CAF, Daimler-Chrysler Rail e ADTranz, sob o nome Consórcio Sistrem. Representantes das quatro primeiras são acusados de ocultar e dissimular a origem e a propriedade do dinheiro pago ilicitamente por meio das empresas de consultoria Procint e Constech, registradas no Brasil, e Leraway, Gantown e GHT, sediadas no Uruguai. Os recursos foram repassados a diversos servidores públicos e agentes políticos, alguns deles beneficiados pela prescrição ou não identificados durante o andamento do inquérito.

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Da CPTM, responderão à ação penal os ex-diretores João Roberto Zaniboni e Ademir Venâncio de Araújo e os executivos Ronaldo Cavalieri, Paulo José de Carvalho Borges Júnior, Carlos Alberto Cardoso de Almeida, Daniel Maurice Elie Huet, Isidro Ramon Fondevila Quiñonero e Masao Suzuki. Completa a lista de réus, o engenheiro Arthur Gomes Teixeira, operador do esquema e responsável pela criação das empresas de consultoria em conjunto com Sergio Meira Teixeira, já falecido.

Lavagem de dinheiro

Se condenados, os acusados podem ter de cumprir entre quatro e 16 anos de prisão. O responsável pela ação é o procurador da República Rodrigo de Grandis, que só pôde ajuizar o caso após o recebimento, no fim de 2016, de respostas a pedidos de cooperação com autoridades uruguaias.

Os dados comprovam como as firmas de consultoria constituídas no país vizinho atuaram na lavagem de US$ 4 milhões originários das empresas que integravam o cartel. A denúncia se baseia também em documentos oriundos de Luxemburgo, Alemanha, Inglaterra e Suíça, além de informações prestadas por dois colaboradores que atuaram no esquema.

Os crimes de corrupção ativa e passiva prescreveram no primeiro semestre de 2016, meses antes da chegada dos papéis vindos do Uruguai, e por isso não são objeto da denúncia oferecida pelo MPF . Já o crime de formação de cartel é alvo de uma ação movida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em 2014.

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Na mesma decisão que instaura a ação penal, a Justiça Federal atendeu a outra requisição do MPF e determinou o desmembramento dos autos para a instauração de um inquérito que vai apurar a compra de 12 trens espanhóis para a CPTM , nos anos 1990. O pedido se deve a indícios de corrupção e lavagem de dinheiro na prorrogação do contrato da estatal com o Consórcio Ferroviário Espanhol-Brasileiro (Cofesbra), em 1995.

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