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No Rio de Janeiro, professores e representantes de comunidades fizeram protesto após a morte de Maria Eduarda e querem reunião com Crivella

Estudante Maria Eduarda Alves, morreu aos 13 anos de idade ao ser atingida por três tiros em escola na zona norte do Rio
Reprodução/Facebook
Estudante Maria Eduarda Alves, morreu aos 13 anos de idade ao ser atingida por três tiros em escola na zona norte do Rio

Cerca de 40 pessoas fizeram um ato na manhã desta segunda-feira (3) em protesto contra a morte da estudante Maria Eduarda Alves da Conceição, de 13 anos, morta após ser atingida por três tiros dentro da quadra da Escola Municipal Jornalista Daniel Piza, na zona norte do Rio, no último dia 30 .

A manifestação foi em frente à sede administrativa da prefeitura do Rio , na Cidade Nova. Segundo a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Estado (Sepe-RJ), Bárbara Sinedino, o protesto retrata a indignação da população com um caso que não é isolado. Bárbara disse que representantes do sindicato vão se reunir com o prefeito Marcelo Crivella para pedir o fim de operações policiais durante o horário escolar.

"Estamos aqui, indignados, em memória da vida dessa jovem. É uma situação triste, que vem de um ato que não é isolado. Nós vivemos toda hora episódios bem parecidos. Vivemos uma política de marginalização das escolas públicas, e pior, do povo pobre e negro, que é tratado como bandido. Montamos uma comissão para nos reunirmos com o Crivella, visando à extinção de ações policiais durante horário escolar. São cenas de guerra durante essas ações, e esses jovens ficam na linha de tiro. Não é possível que alguém ache isso correto", afirmou Bárbara.

A líder comunitária da Cidade de Deus, na zona oeste da capital fluminense,  que frequentemente é palco de confronto entre policiais e traficantes, Cláudia Cristina de Moraes, ressaltou que muitas crianças da Cidade de Deus estão sendo submetidas a tratamento médico por causa das fortes cenas que testemunham. "Qual o motivo disso? Será que é porque elas veem Caveirão [veículo blindado da Polícia Militar] entrando com tudo na favela, gente morrendo, bala entrando dentro de casa? Nossa comunidade hoje é uma área triste. Com crianças sem sorriso no rosto e com desespero no olhar."

O vereador Tarcísio Motta (PSOL), que participou do ato, disse que é a favor do fim das operações em horário escolar, mas ressaltou que esta seria apenas uma medida imediata. Para o vereador, o modelo de segurança do Estado tem que ser reformulado para acabar com episódios como o da morte de Maria Eduarda. "O fim das operações nos horários de aula é providencial e tem que ser feito de forma imediata, mas o problema é muito maior que isto", afirmou Motta.

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Maria Eduarda

A menina Maria Eduarda foi vítima de três disparos na manhã da última quinta-feira (30) quando treinava com a equipe de educação física da Escola Municipal Jornalista Daniel Piza. Os tiros acertaram o pescoço (duas vezes) e a nádega da estudante, que tinha 13 anos de idade.

O exame de necrópsia realizado pela Polícia Civil aponta que os disparos partiram de um fuzil e vieram da mesma direção. Não se sabe, no entanto, se os disparos foram feitos por policiais ou por criminosos.

No momento da morte da menina Maria Eduarda, um confronto entre policiais e bandidos ocorria do lado de fora da escola. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o momento em que dois suspeitos são executados por dois soldados da PM  – que posteriormente foram presos.

Segundo o Sepe, de 2005 até março deste ano, 33 crianças e jovens foram mortos por bala perdida dentro de unidades escolares durante operações policiais no Rio. Deste total,  20 casos ocorreram de 2015 até agora.

*Com informações e reportagem da Agência Brasil