Ministro Blairo Maggi admitiu que o Brasil terá dificuldades para retomar espaço no mercado internacional de carnes
Antonio Araujo/Ministério da Agricultura - 8.11.16
Ministro Blairo Maggi admitiu que o Brasil terá dificuldades para retomar espaço no mercado internacional de carnes

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi afirmou nesta segunda-feira (27), durante entrevista coletiva, que as irregularidades encontradas durante as investigações da Operação Carne Fraca não representam risco à saúde dos consumidores.

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De acordo com o ministro , as equipes de fiscalização recolheram 174 amostras de mercadorias nos 21 frigoríficos sob investigação. Segundo ele, 12 laudos já têm confirmação de resultado em laboratório. “Destes, nenhum deles apresenta qualquer perigo ao consumo humano”, garantiu.

“Estamos correndo para dizer à população que não há, até este momento, de tudo que nós recolhemos qualquer tipo de anormalidade que possa fazer mal à saúde humana”, afirmou Maggi. Ele assegura que o governo irá informar a sociedade em caso de as análises laboratoriais apontarem risco ao consumo.

Apesar de garantir que não há problemas para a saúde, o titular da pasta informou que três fábricas tiveram as atividades suspensas preventivamente pelo ministério para a realização de apurações mais detalhadas. Os sítios produzem embutidos, farinha de carnes para ração e laticínios.

“Das três plantas que estamos nos referindo, se estiverem de acordo, poderão voltar a vender. Nada que encontramos lá é algo muito forte, mas, como estão fora do padrão, foram preventivamente foi interditadas”, explicou Maggi. Todas essas fábricas fechadas ficam no Paraná.

No caso da fábrica de embutidos, a irregularidade era a utilização de mais amido do que o permitido. “Não está seguindo exatamente a receita, vamos chamar assim. Mas isso não faz mal à saúde”, assegurou Maggi. Na empresa de rações, alguns produtos encontrados estavam com datas vencidas. Já a fabricante de laticínios foi fechada por embaraço às investigações. “significa que quando o fiscal chegou lá para fazer a investigação eles fecharam a planta e ninguém ficou lá para responder. Então, obviamente, não dava para a gente ficar com esse negócio aberto. Essas três terão que refazer todo o processo [de credenciamento junto ao ministério] e mostrar tudo como se faz para que possam no futuro voltar a trabalhar”, acrescentou.

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O secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Luis Eduardo Rangel, afirmou que, nos 12 laudos já concluídos, foram encontradas algumas irregularidades como a troca de carne de peru por frango e colocação de água na carne de frango.

Indicações políticas

Blairo Maggi reconheceu problemas nas indicações políticas a cargos do ministério. “Das 27 [superintendências], 17 são indicação política e as demais são de carreira. Mas nenhum dos que são de carreira assumiram seus postos sem se articular politicamente. Se isso é um defeito do Ministério da Agricultura , é um defeito da política brasileira. Todos os cargos e funções que são preenchidas a partir de uma lista tríplice ou de qualquer coisa sempre há um envolvimento político, há procura política para receber suporte e apoio para ser indicado. Aí a gente vê pelos tribunais superiores e qualquer coisa dentro da política brasileira.”

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“O que eu sempre digo é: as pessoas podem ter chegado a esse posto com apoio político, porém, a responsabilidade deles é para com o Brasil e com o Ministério da Agricultura e que eles não sigam o caminho de atender pleitos políticos em coisas técnicas”, acrescentou Maggi, que é senador licenciado pelo PP do Mato Grosso e foi governador do estado entre 2003 e 2010.

Ele informou que o ministério fará intervenções nas superintendências do ministério no Paraná e em Goiás, onde se concentraram a maior parte das irregularidades encontradas pela Operação Carne Fraca. “Faremos a partir de amanhã [terça-feira, 28] a indicação de um interventor que possa fazer a varredura que tem que ser feita lá dentro. Muito provavelmente nós tenhamos nas superintendências brigas políticas de um grupo, dois grupos, três grupos lá dentro e isso faz aflorar problemas de dentro para fora. Portanto, queremos colocar alguém que levante todos os problemas que temos.”

Retomada das exportações

Maggi admitiu a preocupação de que o Brasil não retome totalmente a sua participação no mercado internacional de carnes. “Eu divido esse momento em duas partes: a primeira é restabelecer as autorizações dos países importadores. Essa é uma parte política e técnica. Resolvido isso, as empresas poderão fazer suas exportações. Eu acho que a segunda fase vai ser uma briga de volta para resgatar a confiança dos consumidores lá fora, a confiança dos consumidores internos e garantir que as empresas brasileiras possam continuar a fazer as exportações. Eu acho que teremos problemas, já que a nossa imagem foi muito atacada nos últimos dias. Não podemos esquecer que nossos concorrentes estão aproveitando desse momento de fragilidade para fazer com que os mercados sejam direcionados para eles.”

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O ministro informou ainda que fará uma videoconferência com representantes do governo de Hong Kong, na Ásia, para negociar a retomada das exportações para lá.

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